Há uma simetria entre Lula e o time do São Caetano, ambos perseguidos pela síndrome do vice. O azulão, anteontem, diante do Olímpia marcou a sua quarta façanha de morrer na praia, empatado, portanto, com o candidato do PT que pode chegar agora ao ''penta'', caso não vença no primeiro turno, hipótese cada vez mais difícil de ocorrer.
Não se faz uma descrição dessas sem o travo da quase tragédia porque em ambos os casos essas aventuras frustradas atingiram milhões de pessoas, bloqueando esperanças acalentadas com muita fé e trabalho. Mas se Lula não mereceu perder a primeira eleição, aquela contra Collor, embora escolhido planejadamente para ser o opositor e o derrotado, o São Caetano foi detonado merecidamente, tanto naquela contra o Paraná pelo módulo amarelo como nas demais, incluindo a de ontem quando o Olímpia poderia estar vencendo desde o primeiro tempo, já que perdeu cerca de três gols.
Esperava-se que o São Caetano fugisse do mito que o persegue e se preparasse também psicologicamente e isso não aconteceu porque o time ''amarelou''. Lula até exagerou nos cuidados para fazer-se palatável, adernando à direita e ainda, por obras e artes de marqueteiros, metamorfosear-se de ''sapo barbudo'' em príncipe sem a mediação do beijo, apenas agrados ao mundo empresarial.
Em 1989, se o segundo lugar fosse Brizola, prejudicado pela Globo ao botar o Lula durante dias seguidos falando contra a privatização da Mafersa, fábrica de equipamentos ferroviários, não perderia a batalha. No primeiro debate Lula moeu, deu uma de São Caetano, mas no segundo acabou humilhado e ainda, como se não bastasse, prejudicado por uma edição safada, manipulada, do entrevero em que fora claramente derrotado.
De qualquer forma se forem para o segundo turno Lula e Ciro Gomes mais uma vez, como fiz na primeira, votarei no petista porque o candidato do PPS é um Collor potencializado, bem piorado. E não se trata apenas do ''voluntarismo'' meio infantil nem da raiz coronelista e oligárquica, reafirmada no esquema de poder com o parenteralismo, visível agora na escolha de um irmão como regra três do José Carlos Martinez.
BIZARRICE Parece incrível, mas pela primeira vez na história o candidato oficial, ao menos no Paraná, não é aquele que tem mais recursos. Se não houvesse a prodigalidade, denunciada no caixa 2, haveria reservas.
AXIOMA Sindicato dos bingos denuncia proteção que o governo dá a Laramie, gerente operacional de videoloteria. O surgimento da empresa é parecido com o das ''parceiras'' da Copel: aparece três meses antes da licitação e com um capital de apenas R$ 5 mil. Ministério Público está de olho e também no caso das denúncias contra outras protegidas como as das locações de veículos e mais a das multas eletrônicas.
GLOSA Políticos gostariam de uma enxurrada de votos como a das chuvas dos últimos dias e que nas pesquisas subissem como o dólar. Até nas alegorias acabam atingindo a esmagadora maioria do povo.
EPIGRAMA O que vai ter de ''cano'' (não pagamento de compromissos) nessa campanha eleitoral é digno do Livro dos Recordes.
FOLCLORE Bingos sem autorização da Caixa Econômica continuarão sendo fechados em todo Paraná. Mas melhor solução é a do senador Requião que propôs, pura e simplesmente, a proibição da atividade. Bang bang no bingo. Para matar.
CROMO Namorados sob a árvore criaram raízes como orquídeas.
AFORÍSTICO A falta de recursos é tão grande na campanha que vai funcionar como vacina contra a própria eleição e a corrupção, é claro.

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