Se no melhor partido do Brasil, o PT, a baixaria autofágica é comum como vimos na ''derrota'' do Padre Roque para o diretório regional na base do ''tapetão'' dá para imaginar o que vem aí nessas eleições. As impugnações de candidatos, como se viu anteontem no TRE, dá bem a idéia de como esse pleito valorizará os ''laranjas'' de todos os naipes, da poncam à bergamota, da mimosa à laranja baiana de umbigo, podendo chegar até o grape-fruit, o máxi-cítrico.
Pode até sobrar ''laranja'' o que levará à advertência metafórica da música de Ataúlfo Alves que fala do fruto maduro na ''beira da estrada //ou está bichada, oi Zé,// ou tem marimbondo no pé''. Vai apodrecer laranja pela simples razão de mercado: haverá mais oferta do que procura. A falta de grana atinge todos os partidos em nível nacional e local.
Há uma razão abrangente, a da crise no mercado, a impossibilidade de ver um horizonte claro, acoplada ao temor reverencial de que doadores de recursos se transformem em alvo de investigações da Polícia Federal e Ministério Público. Casos como o do Caixa 2, aqui de Curitiba, e do propinoduto de Santo André refrescam a memória das pessoas para o ocorrido na eleição de Collor e na descoberta do itinerário das ações de PC Farias e que na sequência derrubariam o presidente eleito por pressão da plebe, nunca tão informada.
Da mesma forma que toda a contabilidade eleitoral isso para não estender o conceito a outros setores tem o seu Caixa 2 para absorver aquelas doações em que o investidor não admite ser identificado, todo político, que é candidato, conta inevitávelmente com o seu PC Farias. Pode não ser tão arrojado e de tantos talentos, mas haverá sempre um ''êmulo'' para esse papel.
Sobra ''laranja'', cabo eleitoral, a fauna, enfim, de todas as campanhas, já que os tempos são bicudos. Se falta recurso na campanha oficial dá para calcular as dimensões do drama para os demais. Isso passa. Dentro em pouco o dinheiro começa a pingar, embora não se saiba a origem, mas se tenha a mais absoluta certeza de que não veio daquele pote de ouro embaixo do arco-íris.
BIZARRICE Criatura se volta contra o criador: Ney Braga contra Munhoz da Rocha e agora Rubens Bueno contra Alvaro Dias. Pela comparação das duplas dá para aferir o quanto caiu o nível da política paranaense de 1960 para cá.
AXIOMA Às vezes o marqueteiro fica diante de um dilema ao não saber se elitiza o seu candidato ou o etiliza. A propósito: quando Jânio Quadros foi candidato à presidência da República dizia-se que ele era a ''UDN de porre''.
GLOSA Paraguai em estado de exceção, o que afinal é quase sempre a regra.
EPIGRAMA Se Alvaro Dias e Requião polarizarem a eleição, como indicam algumas pesquisas, explica-se porque Lerner está entre os últimos do país.
FOLCLORE O Paraguai em estado de sítio. O Brasil, não se sabe por quanto tempo, ainda em estado de graça por causa da Copa. A bandeira e os símbolos nacionais não foram arriados. O dólar continua hasteado.
CROMO Os olhos são nítidos apesar da lente de contacto: espelham a alma, como sinaliza o clichê poético.
VINHETA Se Ciro está sete pontos à frente de Serra (22 a 15) e apenas 11 atrás de Lula o povo está votando na Patrícia Pillar.
AFORÍSTICO A troco de que financiadores notórios das campanhas lerneristas estariam apoiando a candidatura de Alvaro Dias: profecia ou açodamento?

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