Tempo de eleição é de valorização dos ''laranjas'' ou até de baixa por causa do excesso de oferta. Em compensação pode pintar a hora da vindita para os que foram sugados como a laranja levada ao espremedor. Era o que se falava ontem nos meios políticos sobre a decisão de Emília Belinati, a vice que jamais criou qualquer problema para Lerner e que tem sido sistematicamente passada para trás, de assumir o governo para valer, trocar secretários sobre os quais tenha informações negativas e assim por diante. Se ela não teve como partilhar as suas angústias com seus problemas familiares (a execração do marido e do filho, a ausência mínima de solidariedade dos correligionários) e não tem com quem dividir o seu inferno astral por que não teria afinal o direito de levar aos que vivem sonhando um pouquinho de pesadelo?
Tudo não passava de uma simulação, de uma hipótese, mas a especulação foi suficiente para levar a distonia neurovegetativa a várias camadas da aliança situacionista. E de repente se imaginava um ''strike'' de boliche atingindo o futuro eleitoral de todo o time com alguns se referindo à dona Emília como se fosse a reencarnação de Lady Macbeth.
Como era um exercício de imaginação já se vislumbrava - e haja malícia! - o que poderia ser dito de cada membro do governo que viesse a ser demitido. Em primeiro lugar não há qualquer impedimento de ordem legal para que uma vice, no exercício ainda que temporário do poder, possa assim agir. Se isso, num tempo normal, seria chocante daria para imaginá-lo no campo fértil da campanha eleitoral. Cobrança ética seria impossível pela circunstância de por tantas vezes haver mostrado lealdade e que recebia, em reciprocidade, também de forma sistêmica, seguidas mostras de traição e desprezo.
Felizmente para o governo tudo é especulação: Emília Belinati decide hoje se assume ou não. Mas o sofrimento dos governistas foi pedagógico.
BIZARRICE Rubinho Ferreira anda espalhando que a Frente Trabalhista tinha três nomes para a coordenação da campanha de Ciro Gomes: Olavo Setúbal, Ermírio de Moraes e José Carlos Martinez e teria optado pelo último.
AXIOMA Poder de polícia é indelegável pela Constituição. Mas assim mesmo inventaram essa história de entregar a empresas amigas a tarefa de multar e, ainda por cima, se valendo de instrumental eletrônico.
VINHETA O Clube dos Sessenta, aquela turma que acertava com empresários seus débitos fiscais e ficava com 40%, é exemplarmente um caso de delegação indevida e maliciosa. Por sinal: os empresários foram processados? Não é de assustar que, de repente, estejam até processando o governo.
GLOSA Nizan Guanaes, da Europa, avisou que espera que não lhe entreguem um cadáver no dia 20 de agosto, início da campanha em rádio e tevê. Mas pelo andar da carruagem, se tudo mantiver o ritmo atual, pode ser que José Serra não seja um cadáver, mas hoje já está na UTI. Vejam a espontânea do Ibope: Lula 21, Ciro 13, Serra sete. Lula tem três vezes mais e Ciro duas.
EPIGRAMA Todos tiveram sua vida dissecada até agora, menos Ciro Gomes. Dá para imaginar o que está para vir por aí. Ataque oblíquo para atingir Martinez acaba não alcançando o candidato.
FOLCLORE O militante do PSDB exigiu que o governo botasse o ''bloco na rua''. E os blocos de multa do trânsito foram de novo acionados.
CROMO E você, descuidada, de costas, estava quase deitada na mesa e eu vi ali uma lua que se transmudava de crescente em cheia numa astronomia erótica.
AFORÍSTICO Não dá a impressão que o governo paranaense planeja sua derrota?

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