LUIZ GERALDO MAZZA - Economia desconcentrada
Há um discurso comum dos candidatos de oposição sobre a necessidade de uma profunda desconcentração da economia. Procura-se certamente dar ênfase ao fato de as montadoras e respectiva malha produtiva se sediarem na Grã Curitiba.
Há aí um equívoco porque os mais recentes levantamentos de órgãos como o Dieese revelaram que foi justamente o interior que respondeu pelo maior número de empregos e forjados por setores tradicionais de nossa vocação na dinâmica da agroindústria. Isso não significa que não exista o problema da concentração industrial, por exemplo, especialmente no eixo Curitiba-Ponta Grossa.
Não há governo que não tenha usado o argumento da difusão espacial do bem-estar por todo o território, o que também é uma utopia, já que as áreas deprimidas como o ramal da fome na direção do norte, o Alto Ribeira e o litoral com seus bolsões de miséria e os pontos problemáticos da chamada Região Central, esta à espera da descoberta do gás e sua exploração, são de difícil atendimento.
Uma das ilusões politiqueiras tem sido a de incluir, cada vez mais, cidades como integrantes da região metropolitana como se isso fosse suficiente para habilitá-las a absorver os benefícios que atingem mais o seu ''centro'' do que a sua ''periferia'', quando não a premiam com a instalação do ''lixão'', tal qual se faz agora com Fazenda Rio Grande e Mandirituba.
Assim, pois, essas concessões ''geopolíticas'' são inócuas. Não consta que a cidade de Doutor Ulysses, com todo o carisma do nome, tenha sido beneficiada pelo fato de inserir-se na Região Metropolitana ou que Tunas do Paraná seja melhor tratada hoje como município autônomo, outra fantasia de mágico.
BIZARRICE Lerner viajou de novo e quando fica por aqui também ''viaja'' e, aparentemente, sem sair do lugar.
AXIOMA Serra na dianteira só poderia ser no ''stock cars'', o Chico; pois o Zé na corrida eleitoral não emparelha nem com o segundo.
GLOSA Se Lerner vencer a eleição internacional dos arquitetos é possível que ganhe embalo para viabilizar o Beto Richa, até aqui ''amarrado'', como se fosse o Rubinho na ''largada'' da Fórmula 1, na França.
EPIGRAMA Pelé é um símbolo nacional (atleta do século, maior craque do mundo), mas nada disso o absolve das asneiras que diz. Motivo pelo qual todo o mundo está dando razão ao Felipão sobre as bobagens que o rei andou dizendo em previsões na Copa do Mundo, nas quais sempre esnobou o Brasil.
VINHETA Ligado a Collor, ACM, Roseana e José Sarney, Bornhausen, se Ciro Gomes vencer é porque se trata de candidato imunizado. Ainda há a turma do Martinez.
FOLCLORE A única surpresa nas denúncias contra o alpinista Niclewicz é o fato de elas não terem partido de Curitiba para confirmar a nossa autofagia. Como lecionava Joffre Cabral Silva o cara que aparece com ceifa à mão nos símbolos e brazão do Paraná não é lavrador, mas alguém pronto para cortar o pescoço do primeiro que tente aparecer.
CROMO A pedra cintila e pulsa à beira do rio que por vezes é submersa com a subida da torrente: apenas tem aparência de inerte como a areia.
AFORÍSTICO Com o empenho da maioria dos candidatos em parecer palatáveis, o maior enigma da campanha eleitoral descobrir a verdadeira identidade dessas figuras seria resolvido no programa do Ratinho com a revelação do DNA.
SCAPS Até para optar pelo ''menos ruim'' dos candidatos propostos temos muito neurônio para queimar. O sofrimento é inevitável.





