LUIZ GERALDO MAZZA - Continuidade e continuísmo
Todo grupo que chega ao poder em maioria deseja o continuísmo, mas nem sempre cultiva o senso de continuidade. A continuidade é mais essencial a todos do que o continuísmo. Governo verdadeiro cultiva o princípio de que não deve brecar as obras do antecessor. Na eleição recente tivemos um ''pega'' entre Alvaro Dias e Requião quanto à paternidade das obras, tentando dizer que um realizara mais do que outro. Os exemplos pinçados a ligação com Garuva e a hidrelétrica de Segredo configuram essa continuidade e no caso da primeira o pagamento maior aos empreiteiros ficou a conta de Lerner.
Quando Requião estava na oposição a Lerner foi acusado de bloquear empréstimos ao Estado, um deles inclusive do tão baladado ParanaSan. A causa a de forçar a devassa dos protocolos das montadoras era justa, mas prejuízos foram inevitáveis. Ocorre que os atos de oposição se legitimam, ainda mais diante do absurdo dessa ''caixa preta'' que ofende a democracia e princípios constitucionais. Governo e entidades classistas fizeram mobilização para colocar mal especialmente os senadores, ora consagrados nessas eleições, o que prova que a causa, ainda que combatida com a pressão da mídia, era boa.
Há setores requianistas que desejam a criação imediata de fatos políticos ou até de factóides, especialidade da fauna da área. Um deles seria a derrubada dos alambrados do Centro Cívico e que ganharia a conotação, embora o seu tom demagógico, de algo próximo da derrubada do Muro de Berlim. Se começar assim, o governo vai desse jeito até o fim, pois é visível que intenções e gestos de porte valem mais do que as obras. Alvaro Dias ficou célebre mais por haver denunciado a formação de cartel na hidrelétrica de Segredo do que por ter feito o arranque da parte mais importante da obra.
O Paraná é um bom exemplo e isso se confirma em indicadores econômicos e sociais de que a continuidade irriga o seu progresso. Isso é mais relevante do que o festival de vaidades de governantes e a exploração que fazem em torno dos seus feitos. Ganhou, outro dia, numa pesquisa nacional a condição de quem tem as melhores rodovias do País e isso não tem a suspeita que cerca relações de melhores do ano ou prêmios que agraciam publicitários e concursos de miss.
Isso está presente também no fato de que detemos excelente infra-estrutura (estradas, telecomunicações, energia) que seriam mais fortes do que incentivos para atrair grupos empresariais ao nosso mercado.
BIZARRICE Maldade mesmo seria Requião pedir a Lerner adiamento para janeiro da inauguração do Museu do Niemeyer. A vaidade é maior que a maldade.
AXIOMA Rio Grande do Sul e Minas foram ao governo federal pedir recursos para o décimo terceiro. Consequência de não respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Dutra, governador gaúcho, chegou a dar aumento ao funcionalismo. Um e outro foram derrotados nas eleições.
GLOSA Se o governo estadual concedesse a áreas mais sérias a prioridade para inaugurar a fórceps o Museu não teria os resultados publicitários que obterá. Tirará com isso o sinal de melancolia de fim de governo.
EPIGRAMA O governo de Lerner foi bem-sucedido? Para ele não, pois afinal quem o sucede é justamente Roberto Requião.
FOLCLORE Consta que um prefeito do Norte é cercado por façanhas com animais: um dia um urubu invadiu o restaurante em que almoçava e levou no bico o filé do seu prato. Agora foi lidar com um burro brabo e o animal mordeu-lhe o peito. Movido pela dor deu um soco no bicho e o matou.
CROMO Mistério da medusa, água-viva, é que seu ardume é maior que a beleza.
AFORÍSTICO Duro vai ser suportar a dramatização dos governos que entram e a serenidade olímpica e arrogante dos que saem.





