LUIZ GERALDO MAZZA - Caiu a ficha
Semelhanças entre Collor e Ciro Gomes nada têm de imaginárias. Visíveis no comportamento e nas tensões temperamentais, o candidato oficial se esforçava para mostrar essa sincronia que vai além de uma questão de estilo. Como Ciro está em ascensão as insinuações, feitas nessa direção, não ''colavam''. Mas anteontem quem cuidou de mostrar a semelhança e orgulhar-se dela foi Fernando Collor de Mello no andamento de sua campanha em Alagoas. Mesmo que Ciro venha a negar a afinidade, agora resta massificar a afirmação do caçador de marajás para que ela produza os efeitos desejados.
Ciro, meio constrangido com o gol contra do seu aliado, que por sinal era ligadíssimo ao ex-coordenador da campanha, o José Carlos Martinez, tentou ontem mesmo reagir e procurando inclusive declarar que jamais votou em Collor como se isso negasse as afinidades e reciprocidades. Outro que condenou o apoio foi Jorge Bornhausen, campeão das mancadas como aquela da Roseana. Do Bornhausen há histórias clássicas como aquela sua declaração quando das investigações sobre PC Farias de que CPIs acabam dando em nada. Só que aquela derrubou, pela primeira vez na história do Brasil, um presidente.
Até agora não bateram em Ciro e isso, inevitavelmente, vai acontecer. Afinal quem ocupou uma prefeitura com o porte da de Fortaleza e o governo do Ceará deve ter passagens questionáveis, a essa hora pesquisadas por ''perdigueiros'' atentos e que, depois no filtro do ''marketing'', ganharão fermento e serão devidamente trabalhadas no plano emocional.
O pior, daqui em diante, será que a cada esforço para mostrar a diferença entre ele e Collor a semelhança mais se acentuará, ainda mais se estiver nervoso como aqui em Curitiba no dia daquela passeata que abandonou a meio caminho. Não será preciso sequer sobrepor imagens. Todos enxergarão o óbvio.
BIZARRICE Nessa campanha presidencial os candidatos se esforçam tanto para ser ''outra'' pessoa que já perderam, todos, a identidade. Lula ameno e palatável, Serra quase oposicionista, Ciro o opositor confiável ao governo (plano b).
Lembra em tudo uma peça de Pirandello como a de ''Seis Personagens em Busca de um Autor''. Um autor para enganar milhões de personagens com o voto.
AXIOMA Governo admitiu que cometeu erro na história do Paulinho Pereira da Silva, mas se ele renuncia e o Alvaro Dias é convocado para substituí-lo teríamos um candidato a governador com jeito de ''novo'' com Osmar Dias. E alguns como eu não teriam que optar pelo menos ruim como no quadro atual.
GLOSA Está na pauta do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre o exame da legalidade dos contratos com os parceiros (amigos do rei) da Copel. É mais substância para a campanha eleitoral.
EPIGRAMA Deputados acusam o Tribunal de Contas de funcionar como um comitê eleitoral pressionando prefeitos e ex-prefeitos. Como o presidente do TCE tem falado muito em transparência é de esperar-se que desmonte a denúncia ou então a engrenagem que dizem existir, se é que existe. Se não der o transparente que ao menos seja translúcido, como insufilme, já que o opaco é inaceitável.
FOLCLORE Quando todos os candidatos são ruins como diferenciá-los?
CROMO E a seus olhos como ficam o roxo lilás dos ipês e cerejeiras se não mais lindos no filtro que os depura como o brilhante na lapidação.
AFORÍSTICO Caso de Santo André, já reaberto, como o do caixa 2 daqui ficam submetidos a segredo de Justiça, o que evita a exploração eleitoral.
VINHETA Com a Renault a classe operária não foi ao paraíso.





