Curitiba está assistindo uma luta de gigantes por espaços de ‘‘shoppings centers’’. Primeiramente os ataques visaram o do Barigui, um dos maiores complexos do País, com argumentos de ordem ambiental e urbanística. Ficava visível também que por trás das restrições havia o movimento de concorrentes alarmados com o risco de atrofia do mercado.
Pois agora com a cessão de área do Jockey Club para um mega-empreendimento do grupo Sonae unem-se as forças que antes digladiavam e olham com extremo zelo e interesse as ações de órgãos estaduais em nome de um tombamento e que podem criar dificuldades à iniciativa. O curioso é que o primeiro ‘‘shopping’’ moderno da Capital, o Mueller, foi um caso típico de proteção do governo municipal a um empreendimento, louvado num simulacro de restauração e na também discutível legislação de preservação de edificações.
Há quem tema não existir espaço para iniciativas de porte como as que se dão seguidamente na capital paranaense, hoje apontada como o melhor dos ‘‘nichos’’ do país para investimentos. Obviamente nenhuma empresa do porte das que aí se empenham iria projetar coisas gigantes sem estudos rigorosos de mercado. O que espanta, porém, é a intervenção do poder municipal no caso do Mueller, quando já havia autorização para uma empresa, a Dias Martins, dar outra destinação à fundição histórica e a de agora, da área cultural do Estado, pretendendo criar dificuldades ao negócio projetado para o Tarumã.
Durante muito tempo o argumento de que era preciso preservar o comércio central afastou numerosas iniciativas como as que foram deslocadas para Pinhais - um complexo com shopping, unidade do Carrefour e uma central de compras do Makro - para fugir aos limites territoriais e à camisa de força da regulamentação privilegiada. Ninguém ignora que a democracia, como lamenta Norberto Bobbio, se transformou na ‘‘representação dos interesses’’ e por isso mesmo acaba sancionando o privilégio (priva lex, lei privada).
Não é crível que em plena globalização essas artes e artimanhas ainda marquem o nosso estilo comportamental de gerir e fazer política.
BIZARRICE O Brasil festejou, como vingança do pipoqueiro, a vitória do Senegal sobre a França. Convém não esquecer que os turcos, via Galatassaray, venceram a Eurocopa em 2000 da mesma forma que o Senegal foi vice da África por haver perdido nos pênaltis para a Nigéria, aquela que matou o Brasil na Olimpíada.
AXIOMA Mesmice: Jamil Nakad não pode reclamar dos mesmos, pois vai ser candidato pela terceira vez. Também pela terceira estão aí Alvaro e Requião. E o Richa botou o filho em seu lugar, se não seria a terceira, igualmente.
GLOSA O acerto no Rio entre PSDB-PMDB-PFL tirou de Lerner a primazia para fazer tal coisa no Paraná. Ficou com o ônus até a convenção, mas até lá esquece tudo isso, fazendo outra viagem ao exterior.
EPIGRAMA Quando será esclarecida a negociata dos títulos podres que nem o Requião captou na condição de relator da CPI que os examinou?
FOLCLORE As ‘‘dobradinhas’’ (para presidente e vice, governador e vice) que estão sendo anunciadas são tão absurdas que, comparadas à iguaria famosa, deveriam estar forçosamente feitas com bucho estragado e sem lavagem.
CROMO Mallarmé fez o elogio da página em branco e como se postaria hoje diante do computador para dizer o mesmo?
AFORÍSTICO Intolerável ouvir políticos na televisão em programas eleitorais e entrevistas. É alí que se percebe porque poderemos ser a Argentina amanhã.

mockup