LUIZ GERALDO MAZZA - A pobreza de quadros
Tenho insistido que a representação popular no Paraná, especialmente, piora de legislatura para legislatura. É fácil observá-lo contemplando a galeria de ex-presidentes da Assembléia Legislativa. Trata-se de exercício de raciocínio dos mais importantes, sem que interfira aquele impulso de ''idealização'' do passado.
Também o será se fizermos igual paralelo quanto aos ex-governadores. Não dá para comparar um Ney Braga, excluído o seu retorno de forma indireta ao Poder, com aqueles que o sucederam. Nunca tivemos, por exemplo, um vice-governador com o gabarito de José Hosken de Novaes, embora se reconheça que Plínio Franco Ferreira da Costa, por suas qualificações, também se destacou como o ''regra três'' de Paulo Pimentel.
Vou lembrar aqui de uma eleição importantíssima, ocorrida em 62, no governo democrático de Jango Goulart, a primeira com acesso gratuito ao rádio e à tv, quando tivemos a escolha do prefeito de Curitiba e mais a de um terço do Senado e as proporcionais de deputados estaduais e federais. Vejamos a listagem dos candidatos à Camara Alta: Amauri Silva (PTB) com 390.057 votos, Adolpho de Oliveira Franco (UDN) 326.837 votos, Bento Munhoz da Rocha Neto (PR) 224.959, Moysés Lupion (PSD) 217.627 e Sebastião Vieira Lins (PSB) 63.252 votos. Dá para comparar esse time aí com os que estão agora entrando em campo, apesar das qualidades do Osmar Dias?
Para prefeito disputaram Ivo Arzua (PDC-UDN-PL) com 51.511 votos, Carlos Alberto Moro (PTB) com 40.187 votos, Abílio Ribeiro (PSD) 17.023 votos. Não dá pra comparar esses candidatos com os que recentemente disputaram a eleição em Curitiba, embora as qualificações de Taniguchi. Ivo Arzua é o implantador, e de forma democrática, do Plano Diretor da cidade, precedido de debates com a sociedade organizada, o que Lerner e seus seguidores jamais fizeram.
Qualquer analogia que se faça é negativa para os quadros atuais. A degradação é visível como também o nível da campanha. Dos candidatos ao governo é duro falar sem lembrar que são repetitivos, incapazes de um pensamento orginal, uma frase que seja e que não venha manipulada dos laboratórios de ''marketing''.
BIZARRICE O empenho dos candidatos de oposição em caracterizar Alvaro Dias e Beto Richa como situacionistas sugere que ambos são credenciados ao 2º turno.
E os outros, se não baterem nesses dois, estão liquidados.
AXIOMA Recepção aos pentacampeões foi bonita, mas cansou mais os jogadores do que toda a competição. Um massacre. Algo como o gesto da mãe que tanto ama a filha e que a sufoca com o abraço apertado. E para fechar tudo com chave de ouro quase que apedrejam os heróis. A fronteira entre amor e ódio é tênue.
GLOSA O cúmulo do populismo seria o presidente FHC dar uma cambalhota na rampa do Alvorada entrando na onda do Vampeta. Nem todas as ações do Vampeta podem ser copiadas ou seguidas. Vide a foto, pelado, na revista gay.
EPIGRAMA Achamos hoje os candidatos ruins. Imaginem os que virão depois.
FOLCLORE O ataque ao ônibus da seleção brasileira no Rio é uma prova de desconhecimento da psicologia das multidões. Um fim de tarde, em plena ''guerra do pente'' eu estava na janela do Diário do Paraná quando a escumalha passou no outro lado da calçada. Meu sonho de dominar multidões aflorou e me dirigi, com voz empostada e emocionada, à patuléia. Uma pedra gigante lançada contra o luminoso do jornal cortou, epistemologicamente, o meu barato.





