Está aí para mexer com os políticos: a Copel foi considerada, outra vez, a melhor distribuidora de energia do País. Isso a valoriza para a hipótese, já admitida, de nova tentativa se não de venda pelo menos de colocação de ações no mercado, como aliás sinalizaram.
Motivo de regozijo para todos aqueles militantes do ''Fórum'' achando que eles e não o mercado é que impediram o leilão a empresa vai ser foco do processo eleitoral, inevitavelmente. Se há um candidato que pode exibir-se (e como ele gosta disso!) em torno da nossa maior estatal é Alvaro Dias que teve o peito de denunciar a formação de cartel na licitação de Segredo, iniciada na gestão Richa, e que o levou a trombadas com a CR Almeida e que agora tenta na justiça federal, o processo tramitando em Porto Alegre, recuperar a grana que foi paga (R$ 90 milhões) ao empreiteiro sob o fundamento de que o governo perderia a ação.
No governo Requião houve a venda de ações da empresa, ainda que com a cautela de exigir que parte expressiva, 60%, dos recursos retornassem à estatal. A parte mais relevante do histórico da Copel se deve ao neysmo, daí porque houve a recusa de que o ex-governador fosse usado no processo de privatização, uma sacanagem típica dos destituídos de caráter e contra a qual a família resistiu com a máxima firmeza.
O governo vem queimando os ativos importantes do Estado na ânsia de fazer dinheiro de qualquer jeito e é hoje muito mais vigiado que antes. E mesmo essa pretensão de vender mais ações é olhada com a máxima hostilidade. Se a sanção da lei que mantém as concessionárias de linhas de ônibus dá margem à reação da oposição, sugerindo chuncho e drenagem para a campanha eleitoral, dá para imaginar o escarcéu que seria feito com qualquer operação relativa à Copel.
BIZARRICE Memória vai ser a matéria-prima, o insumo, mais forte da campanha eleitoral em andamento. Ciro Gomes anda badalando um feito junto à Unicef (desses o Lerner tem mil) pelas condições de salubridade do Ceará quando era governador. Pois bem: quando recebeu esse prêmio houve uma pandemia de cólera em Fortaleza que derrubou dezenas de milhares e ele próprio acabou acamado com a dengue, essa doença que o seu adversário Serra não conseguiu erradicar.
Seria algo como Curitiba ganhar um prêmio de ecologia e o governador ou o prefeito pegarem leptospirose.
AXIOMA A intervenção federal no Espírito Santo era uma exigência de limpeza imposta já em passado recente pelas apurações da CPI do Narcotráfico e que atingia o presidente do legislativo daquele Estado. FHC pipocou, o crime organizado festejou e aqui até agora, afora os casos dos desmanches, nada se puniu, o que prova apenas o grau de anomia que impera no Brasil.
GLOSA O ruim contra o pior, esse o segundo turno que se desenha por aqui.
EPIGRAMA O que é mais difícil de pasteurizar: Lula, Serra ou Ciro?
FOLCLORE O Coritiba comprou o Chico Mineiro errado. Isso não é nada: achou que o Gionédis ia ser o Petraglia dos coxas e o eleito dissimula não saber como estavam, na hora em que decidiu concorrer, as finanças do clube.
VINHETA Um empresário em Santo André confirmou que dava 100 paus por mês para o propinoduto do PT e sugeriu que a morte do prefeito foi queima de arquivo.
CROMO Fantasmas hibernais: a cascata do rio congelada, a ação aprisionada.
AFORÍSTICO Qual o tédio maior: o do governador ou o do seu candidato?

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