Quem andou pelas estradas federeais do Paraná no feriadão saiu delas com ódio do governo, embora a rigor tenha escassa culpa do que está ocorrendo, a começar do fato de que justamente as BRs é que apresentam problema. Dá para imaginar a dimensão da repulsa se o pedágio já fosse cobrado. É que a revolta do usuário se deve em grande parte às obras em uma das pistas e especialmente à prioridade conferida aos postos de cobrança, muito mais modernos e técnicos do que os supostos melhoramentos até agora feitos.
Não esquecer que 3 de outubro cai num sábado. Consequentemente, quase feriadão e com o dado frustrante de a maioria votar de forma obrigatória e super irritada com a classe política em geral. Como até lá o sistema estará implantado, dá para perceber e contabilizar as perdas eleitorais em função do pedágio. Para um governante que se constrange com arreganhos de partidos como o PPB, em busca de uma valorização não correspondente ao seu peso eleitoral, e fica tonto com as exigências de PTB, cujo presidente nacional, o senador Andrade Vieira, subestimou por método, só haverá uma saída: ou segura a cobrança do pedágio para outra ocasião ou faz revisão severa nos preços absurdos, já que em tese todos concordam que é a única maneira de recuperar o patrimônio rodoviário.
A grita vai reacumular forças: ao lado dos transportadores, o comércio (e aí é específico o peso dos exportadores e importadores), a indústria e também os agricultores intensificarão os seus brados. A decisão relativa aos valores tarifários teve o impacto de um raio de Zeus, veio de cima para baixo, sem qualquer discussão técnica ou política e os cálculos dos ônus aos custos de produção vão de 18% a 35%. E essa oscilação não pode ser criticada porque se assenta também no chute e não em cálculo atuarial. Outro detalhe: a cobrança não faz parte da nossa cultura e um dos abusos é o fato de não haver cargas de retorno de Paranaguá, quer por rodovia ou ferrovia, o que dobra custos.
Essa batalha não dá para esconder, como se fez com os eventos da Corretora e da Leasing Banestado, empurrando-os com a barriga, ainda que houvesse, no caso da segunda, mais de 25 processos criminais em função da ‘‘farra’’ e que premiou o gestor, Osvaldo Santos, elevado à condição de secretário de Estado. Age-se como se o perfume do Rexona ocultasse o odor das operações perniciosas.
BIZARRICEDiscutia-se na Boca Maldita sobre a mudança dos padrões: se Lupion, que entrou rico (um dos maiores do país) na política e saiu pobre, era tido como improbo, o que se diria dos homens públicos de agora, quando é comum alguém do segundo escalão subir na vida como um foguete?
SPRAYVem aí uma batalha no front político e judicial contra as concessões de rodovias no chamado Anel de Integração, apontado também como de Entregação: item por item dos contratos estão sendo analisados por especialistas em Direito Público.- Os sofrimentos dos que ousaram andar pela BR-277, tanto no sentido do litoral como no de Ponta Grossa, deram margem a broncas homéricas: viagens de uma hora eram cobertas em sete.- Também o fluxo da Rodovia do Café foi dramático no sentido Londrina-Curitiba ou Curitiba-Londrina.- Nunca se falou tão mal do governo durante tanto tempo como na volta do feriadão. Uma Páscoa inesquecível. É mais fácil, às vezes, recuperar uma estrada do que o prestígio perdido.- Trechos recuperados na altura da Serra de São Luís do Purunã estão com ondulações graves. Acostamentos altamente prejudicados.- O mais irritante estava nas placas oficiais anunciando o Anel. Ontem ficou o Anel, mas foram-se aqueles dedos de contar votos.- Enquanto o baixo clero toma conta da Universidade, inclusive dos seus postos de direção, e a instituição se degrada no processo de sucateamento, ela se mostra, cada vez mais, habilitada a ser PHD em greve quase sempre inútil. Qual foi a última parede que trouxe algum resultado para a comunidade, professores e alunos?- De certa forma a greve, pelo menos, mostra que os agentes da educação não estão mortos. Não deixa de ser um sinal de vida, frágil, impotente, próximo da UTI, tal a apatia dominante. Melhor isso do que a paz dos cemitérios que o governo FHC deseja, empolgado com a fatalidade da globalização e da ‘‘modernidade’’.- Segurança começa um plano ousado de descentralização: está alugando um casarão na Água Verde em que funcionará uma Central de Polícia com oito delegados aos sábados à noite, domingos e feriados.- O programa esportivo do Bicudo, juiz de futebol, na Rádio Capital muda de horário nesta quarta, iniciando-se às 17h50 e terminando às 18h30.- Se jogador de futebol e políticos podem fazer seus programas de rádio, também o apitador Valdomiro de Córdova tem o seu direito de apitar.- Por sinal que advogados de futebolistas também têm seus espaços. E o Bicudo, além de tudo, é um assessor de primeira. Outro dia nós dávamos um pau nas omissões da polícia na Rádio CBN e ele defendeu a política da Secretaria com educação e desenvoltura, o que os homens do Lerner não sabem ou não querem fazer, à exceção do Guelmann, pronto-socorro tempo integral.
AXIOMASe houver ágio no pedágio será apenas um caso de redundância?
FOLCLORESe Osmar sair ao governo e Álvaro ao Senado, o PSDB transforma o Paraná numa área nordestina. Aí só falta o Requião disputar o governo e o irmão Eduardo o Senado. Lerner faz o mesmo: sai pela reeleição e indica o mano Júlio para o Senado. Isso é que é fraternidade.
CROMOHá em cada um de nós um jardineiro: o José Domingos Scarpelini cuidava, às escondidas, de uma oliveira na praça Santos Andrade. Deslumbrou-se, semana passada, com uma paineira branca e com uma sabiá do mesmo tom da paz.

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