LUIS GERALDO MAZZA
Ações prospectivas
O alinhamento das forças na sucessão mostra que muitos jogam agora com os olhos postos no pleito de 2.004. É o caso da turma ligada a Taniguchi. Há, porém, o detalhe de que se teria concedido o comando ao Luciano Pizatto, um permanente candidato a prefeito e que até deve ter se valido da postulação ao Senado como uma etapa de acumulação de energias com exposição na mídia, voltada a esse objetivo. Para o prefeito ficaria muito ruim ajustar-se com o senador Requião pelo fato de este, mais do que ninguém, ter se valido do Caixa 2 para inflingir desgastes ao esquema dominante.
Não há, obviamente, uniformidade. Muitos se voltam para Requião por haver um excesso de concentração em favor de Alvaro Dias. Casos nada estranhos de João Elísio e Nelson Justus. Aí ditam interesses microrregionais aos quais os políticos dão a máxima importância.
Pode-se prever uma apreciável concorrência dentro de dois anos: até Ratinho Júnior poderia sair candidato para ajudar, pela dobradinha no PSB, a formação de uma forte bancada camarista, se preenchesse os pré-requisitos. O vice de Alvaro, Luís Forte Neto, que tem largo domínio sobre urbanismo, pode tentar, com melhores condições de sucesso do que da vez anterior, o governo municipal. No PMDB um que está credenciado é Gustavo Fruet e no PT Ângelo Vanhoni, mas há ainda outros como o Lubomir Ficinski, Rafael Greca (apesar do péssimo teste de sua votação para deputado estadual em Curitiba), Jorge Samek e até, por que não?, o senador Flávio Arns e Beto Richa.
Geopoliticamente, Curitiba e satélites da Região Metropolitana são um ponto chave do processo. Alvaro Dias, com as adesões havidas (Cassio em especial), melhora sua posição numa área em que ficou em quarto lugar e pode surpreender o requianismo. O que enriquece, porém, o andamento das coisas é a ação daqueles que aspiram a prefeitura e também manter-se na Câmara Municipal. Daí o empenho da tropa que neutralizou Vanhoni e garantiu Taniguchi.
BIZARRICE O patrulheirismo retornou: as reações à opinião de Regina Duarte lembram as retaliações contra Cláudia Raia e Marília Pera quando elas se colocaram a favor de Collor. A forma extrema como se caracterizou essa hostilidade é tão ou mais ''terrorista'' do que o alegado medo de Lula. Até na ultra esquerda há o medo não do Lula tradicional, mas deste passado a limpo pelas alianças feitas. O que é um ponto de vista como outro qualquer.
AXIOMA Assembléia de Deus está com Serra. A do Tinhoso não se manifestou.
GLOSA Traficantes metralharam Palácio do Governo. Pior vai ser quando estiverem lá dentro e com as regalias como a impunidade de que gozam.
EPIGRAMA Até a astronomia explica: daqui para a frente é tempo de Lula cheia, Lula crescente, Lula nova e Lula minguante. O povo nasceu de costas pra Lula.
FOLCLORE No debate da Band hoje só falta o Requião dar uma de Rubens Bueno e fazer o sereno radical e Alvaro ficar tão moço quanto o Beto Richa. Política é, sobretudo, isso: prestidigitação. Por isso se diz que é uma arte.
CROMO Na madrugada a névoa promove a impressionista dança das árvores e os fantasmas, mimetizados na sombra, espreitam.
AFORÍSTICO Sanepar vai contratar terceirizada para serviços de informática. Seria surpreendente se cedesse à Celepar ou o fizesse por gestão direta.
VINHETA Rejeição de Requião é de 30%, de Alvaro é de 29%. Só isso legitima o voto nulo e em branco, que passam a ser uma opção maduríssima.
SCAPS Até agora não se mediu o efeito dos ataques de Serra a Lula. Vai ser conhecido na próxima semana em cima do encerramento do horário gratuito.
ASTERISCO Lula é imune à baixaria e de certo modo à bruxaria.





