A Caixa Econômica Federal deveria ter como prioridade a função social, mas o presidente Lula e o ministro Guido Mantega perderam a paciência com a notícia de que a instituição teve, no primeiro trimestre do ano, o lucro de ''apenas'' 69 milhões. Anuncia-se que, por conta disso, cabeças vão rolar, porque o lucro foi considerado medíocre. O chefe do Governo e o titular da Fazenda - guardião e controlador do dinheiro - querem que o banco dito social obtenha o mesmo resultado dos congêneres particulares, que nadam de braçada e auferem lucros exorbitantes.
Se eles querem ganhos altos com a Caixa, devem querê-los também com o Banco do Brasil - e este de há muito perdeu sua característica forte de oficial e social e converteu-se num banco comercial. Arrecadar dinheiro e mais dinheiro virou obsessão na administração petista, que se desespera para ver reaprovada a CPMF e agora demonstra a mesma ganância por via da Caixa. Se os dois bancos oficiais precisam operar com equilíbrio, não significa que obtenham lucros astronômicos, porque foram criados para dar atendimento social, entendendo-se aí a promoção prioritária do desenvolvimento por via do financiamento aos negócios e aos cidadãos, com juros sustentáveis.
A invés de importar-se em melhorar o desempenho dessas instituições pelas causas maiores a que se destinam - moradia popular uma delas, no caso da Caixa, neste país onde milhões habitam em cortiços - o Sistema demonstra não querer a geração de benefícios mas arrebanhar lucros e abarrotar ainda mais seus cofres.
Com grande reserva de moeda, que fica estocada sem uso, até porque - como se tem dito à exaustão - o Governo não tem agilidade para elaborar projetos de obras fundamentais e por isso não sabe nem aplicar inteiramente a dinheirama que tem - a meta de tanto abocanhar só pode servir à sustentação da máquina governamental inflada e gastadora, à farra pública e à corrupção, como a compra de parlamentares no estilo mensalão para aprovar os projetos de interesse palaciano ou desaprovar os que não lhe convém. Percebe-se que, mediante as barganhas, que sempre envolvem verbas - fraudulentas ou não - o Governo pode agora acabar ''convencendo'' os senadores da dita oposição a aprovar a continuidade da CPMF.
Causa perplexidade constatar-se que o dinheiro se converteu em paranóia no atual Governo, que se instalou sob a bandeira de atender ao social por via do crescimento econômico sustentado. Mas o que se vê é apenas a ganância arrecadadora pelo arrocho nos impostos e o assistencialismo populista, para assim a miséria continuar e os eleitores beneficiados e pouco politizados se manterem fiéis quando forem chamados a dar seu voto. Lula sonha continuar no poder por mais um mandato consecutivo e vislumbra uma mudança na legislação que lhe permita essa possibilidade.

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