Lucro de um lado, prejuízo de outro
A informação divulgada ontem de que o ex-Banco do Estado do Paraná teve um lucro de R$ 157 milhões, no ano passado, consolida duas notórias constatações. Primeiro, que o Estado é mau administrador, se tomamos um banco como empresa, sujeita a bom desempenho gerencial, e sabendo-se que no caso do então Banestado houve favorecimento à permissividade e à corrupção, que o levaram literalmente à banca rota, como dizem os italianos para definir um banco arruinado. Segundo, porque agora privatizado, em mãos do Banco Itaú, o estabelecimento teve um lucro descomunal, porque bem administrado e porque é um segmento privilegiado de negócio, no Brasil, pela exorbitante taxa de juros que lhe é permitido cobrar.
De um lado, a liberalidade dos bancos estatais, que em última instância extraem do povo a cobertura do seu mau gerenciamento, eis que pródigos em concessões e facilitações. De outro, o banco sob comando privado (ou mesmo público) que explora os clientes com juros abusivos e uma infinidade de taxas de serviço que cobra e que vai adicionando em pequenas mas múltiplas doses, na conta bancária de cada um, o que em escala representa fantástica soma de dinheiro. Tudo na maior impunidade, porque o Banco Central estimula a prática dos juros altos, para não permitir o giro da moeda temeroso de inflação e faz vista grossa ante os demais abusos do gênero.
Se é certo que o Estado não deve ser gerenciador de negócios, porque mau patrão ressalvada a tolerância para certas atividades estratégicas por outro constitui sempre uma bofetada no rosto dos empresários e cidadãos em geral ler nos jornais as manchetes sobre lucros estratosféricos do sistema bancário, no Brasil, quando se sabe da dificuldade que a comunidade empresarial enfrenta para manter os seus negócios. Perdem os bancos, assim, a sua função social que deve nortear toda a atividade humana para converter-se em meras usinas de lucros, utilizando-se de matéria-prima de uso público, que é o dinheiro. A moeda deve ser sempre um meio e não uma mercadoria objeto de comercialização, embora seja lícito obter lucro pelo seu bom emprego, porque isso faz parte do universo dos negócios.
Agride a sensibilidade dos cidadãos a divulgação dos balanços dos bancos, ostentando lucros fenomenais, num país rico mas de nação sabidamente pobre, na grande maioria; e agride o alarde de tais lucros, como se fossem produto apenas de bom desempenho gerencial, sabendo-se que repousa no sistema financeiro, pelo elevado custo que impõe ao dinheiro, muito da culpa pelas amarras que prendem o desenvolvimento e por extensão geram miséria social.





