O lucro líquido da Petrobras de quase R$ 9 bilhões no segundo trimestre deste ano é pertinente ao gigantismo da empresa, mas o consumidor de combustíveis à base de petróleo questiona porque eles não baixam de preço nas bombas. A estatal tem operado com lucros, esbanja opulência e figura como vanguardista nos grandes patrocínios, e ademais o Brasil desponta com formidável volume de extração e refino e anuncia a descoberta de novas e ricas jazidas, mas o milagre da gasolina e do óleo diesel baratos para o consumidor não acontece.
Combustíveis a valores altos encarecem a vida dos brasileiros porque incidem sobre o custo das mercadorias transportadas, sobre o transporte coletivo de passageiros e sobre o gasto dos proprietários particulares de veículos. Os cidadãos encontram como resposta a justificativa da relação do petróleo com as cotações externas desse produto - uma dinâmica pouco compreendida destes tempos de globalização, que ocorre com certos itens estratégicos - mas com razão avalia que se o Brasil tem substancial produção de combustíveis à base de petróleo e vai elevando o ranking por graça dos biocombustíveis, deveria abastecer o mercado interno em condições mais vantajosas.
O volume de lucro foi 29% superior ao mesmo período do ano passado, e se é preciso ter suporte para os investimentos em prospecção, extração e usinagem, a Petrobras poderia diluir parte desse fabuloso ganho em benefício do consumidor.
Outra situação que tange os brasileiros que se valem do sistema financeiro é o juro do cheque especial chegando a 8,97% ao mês, na maioria dos bancos. A taxa mais baixa é da Caixa Econômica, de 7,78%, mas no Banco Safra ela subiu para astronômicos 12,30% - sem dúvida um juro perverso, só possível num país de tanta liberalidade como o Brasil. Só clientes suicidas irão operar com cheque especial pagando um porcentual tão elevado. A trajetória de aumentos começou em abril e não mais cessou. Não por acaso os lucros de bancos e financeiras são exorbitantes, situando o Brasil como campeão em cobranças absurdas de juros.
Para essas instituições e a Petrobras, a olímpica conquista de todas as ''medalhas de ouro'', e para os clientes que se aventuram nesse cotejo os últimos lugares, sem vislumbre de levarem alguma vantagem.

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