O aumento da expectativa de vida, que hoje é de 72 anos no Brasil e de 74 no Paraná, e os avanços da medicina modificaram a forma como o brasileiro encara a velhice. Hoje, a maioria dos idosos é ativa e busca incluir na rotina atividades prazerosas. Entre elas, destaca-se o sexo.
A revolução na vida sexual dos idosos foi proporcionada pelo surgimento do Viagra, conhecido medicamento de combate à disfunção erétil. O geriatra José Roberto de Almeida adverte, no entanto, que a qualidade do sexo não depende apenas da ''pílula azul'', mas está diretamente relacionada à saúde do idoso. ''É necessário frequentar o médico regularmente e cuidar com atenção as doenças silenciosas, como o colesterol, a hipertensão, a diabetes'', aconselha.
Nesta entrevista, Almeida ressalta que os idosos não podem esquecer que os cuidados com as doenças sexualmente transmissíveis (DST), como a aids, devem ser constantes, independentemente da idade. E ainda critica a postura de familiares que querem limitar a indepedendência e autonomia de quem está na terceira idade. ''O idoso tem o direito de decidir sobre o que quer para sua vida, inclusive nos relacionamentos afetivos. A família não tem o direito de interferir nas escolhas dele.''
O que muda na vida sexual quando a chega à terceira idade?
É importante dizer que não existe uma data exata para a sexualidade começar a mudar. Há alterações que aparecem antes dos 60 anos. A frequência da atividade sexual diminui com a idade. E, para os homens, o estímulo visual é muito importante e isso muda quando ele alcança uma certa idade. A partir daí, a libido é mais estimulada pelo carinho e pelo toque. Também existem transformações orgânicas. Por exemplo, a quantidade de esperma diminui principalmente em homens com mais de 60 anos. A utilização de determinados medicamentos, como os antidepressivos, pode interferir na ereção, na libido e retardar a ejaculação.
Os idosos, de modo geral, têm vida sexual ativa?
Isso depende do passado da pessoa, do quanto ela foi sexualmente ativa e do quanto a atividade sexual é importante para ela. Percebo que os idosos buscam mais o companheirismo, e o sexo é o complemento de uma relação estável. Eu atendo um casal - ele tem 87 anos e ela, 78 - que conta com satisfação que tem uma boa atividade sexual. No entanto, ele utiliza medicamentos que estimulam a ereção.
Então os estimulantes sexuais são uma saída para quem não consegue ter bom desempenho?
Esses medicamentos são uma boa saída. E não são utilizados somente pela terceira idade. Existem muitos pacientes, na faixa de 40 a 50 anos, que já têm necessidade de usar os estimulantes. Muitas vezes usam não por uma questão orgânica, mas psicológica. As preocupações do dia a dia acabam interferindo no sexo. Esses remédios revolucionaram a questão sexual, principalmente na terceira idade. Não é à toa que o descobridor do Viagra ganhou o Prêmio Nobel de Medicina.
Quais cuidados os idosos devem tomar antes de utilizar a medicação??
Quando os estimulantes sexuais foram lançados houve um mito de que eles fariam mal para o coração. No entanto, isso não é verdade. Os remédios propiciam que o idoso volte a ter uma atividade sexual. E sexo é uma atividade física. Por isso, acontece de aparecer alguma doença cardíaca que estava mascarada. No entanto, se ele começar a praticar alguma atividade física, o problema cardíaco também pode aparecer. E quem usa remédio específico para doença coronária não pode utilizar os estimulantes. Esse deve ser o maior cuidado.
O número de idosos com doenças sexualmente transmissíveis cresceu nos últimos anos. O que explica esse aumento?
Os remédios para disfunção erétil permitem que o idoso tivesse atividade sexual, mas também aumentam o risco de DST nessa faixa etária. Muitos idosos começaram a ter relações extraconjugais e levaram doenças para dentro de casa. O idoso não está acostumado a usar preservativo. É preciso investir em campanhas de conscientização. A questão já se tornou um problema de saúde pública.
As famílias sabem lidar com os idosos da atualidade, uma vez que o estilo de vida deles mudou?
Hoje é comum o idoso ter um segundo relacionamento e as famílias estão aceitando melhor isso. No entanto, há filhos que ainda querem mandar no idoso. E, no que diz respeito ao envelhecimento, existem duas palavras ''mágicas'' que devem ser consideradas: independência e autonomia. O idoso tem o direito de decidir sobre o que quer para sua vida, inclusive nos relacionamentos afetivos. A família não tem o direito de interferir nas escolhas dele.
O que o idoso pode fazer para continuar a ter uma vida sexual ativa e satisfatória?
Primeiro é preciso ter uma boa saúde. Para tanto, é necessário frequentar o médico regularmente e cuidar com atenção das doenças silenciosas, como o colesterol, a hipertensão, a diabetes. Além disso, é importante não fumar, fazer atividade física regularmente, ter uma boa alimentação e um relacionamento amoroso duradouro.

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