Longe das metas para a educação
O mundo avançou, mas não como deveria. Dez anos depois de líderes mundiais terem se reunido em Dakar, no Senegal, para traçar metas mundiais para melhorar o acesso à educação, o relatório de 2010 do programa Educação para Todos, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), aponta que dificilmente os objetivos traçados serão alcançados e, mesmo onde isso pode acontecer, os números globais escondem uma população que fica para trás em qualquer política pública.
Os dados atuais mostram que 72 milhões de crianças no mundo ainda estão fora da escola. No ritmo atual, serão ainda 56 milhões em 2015. O analfabetismo atinge 759 milhões de pessoas e a perspectiva é que diminua para 710 milhões nos próximos 15 anos. Sem contar que a má qualidade das escolas e a alta evasão não garantem que o acesso às salas de aula se transforme em ensino efetivo.
O foco nas crianças que estão fora da escola na educação primária deixou longe da atenção outro problema: os adolescentes que não estudam, seja porque nunca foram à escola, seja porque tiveram que deixá-la em algum momento. Quase 71 milhões no mundo estavam fora da escola em 2007.
A crise econômica que atingiu o mundo no último ano é apontada pela Unesco como mais um empecilho ao avanço das metas educacionais, além de uma boa desculpa para os países desenvolvidos evitarem investir os recursos que haviam prometido. Faltam US$ 16 bilhões por ano para que se cumpra as metas e não há sinais de que esse dinheiro virá.
O relatório acusa os países ricos de mobilizaram uma montanha de ajuda financeira para estabilizar seus sistemas financeiros, mas um montículo para os pobres do mundo.
Dos 128 países para os quais a Unesco obteve dados para esse relatório, 62 devem atingir as metas. Outros 36, entre eles o Brasil, estão a caminho, mas tem resultados mistos: problemas especialmente no analfabetismo e na qualidade aguardam medidas que há muito deveriam ter sido tomadas.





