Durante todo o dia de ontem, o relógio da Papelaria Central, um dos pontos de referência do centro de Londrina, não aderiu ao horário de verão e seguiu marcando uma hora a menos. Entretanto, a imensa maioria da população londrinense não demonstrou a mesma morosidade de adaptação e tratou de aproveitar as vantagens da hora a mais de sol - foi ajudada, é verdade, pelo calor cruel da tarde deste domingo, que ficou além da casa dos 30 graus.
Na barragem do Lago Igapó, entre pessoas lavando carros, centenas de pais de família levando os filhos para nadar e jet-skis, Gentil Nunes Dias comemorava a chegada do horário de verão. ''Quando dá, sempre venho aqui. Eu gosto do horário, aproveito pra sair mais. A gente demora um pouco pra se acostumar; hoje, perdi a hora pra acordar, mas é só no começo'', explicou, antes de lamentar: ''Daqui a pouco, às 18h30, tenho que ir à igreja. Mas, ah!, com esse sol aqui fora eu vou ficar meio sentido de ter que ficar trancado lá dentro''.
Adalgísio Alves Martins, que foi à barragem com a mulher e quatro filhos, também tinha outras preocupações em mente. ''Saí arrastado pela criançada, que queria nadar. Pôxa!, estou até perdendo o jogo do Corinthians'', reclamou. A julgar pelo resultado, seo Adalgísio não perdeu nada. Pedreiro, ele explicou que o horário de verão é bom para o trabalho. ''Aproveito pra fazer um serviço a mais, já que fica mais tempo com dia claro'', afirmou.
Tanto o horário de verão quanto as altas temperaturas que têm feito na cidade são ideais para quem vive de matar a sede alheia, como o vendedor de sorvetes Arnaldo Bispo Coelho. ''Adoro calor, porque venho de Ilhéus, na Bahia. Pra mim, podia ficar mais quente ainda, pra vender mais'', riu o comerciante, de 66 anos. Arnaldo vende sorvetes na barragem há 12 anos. ''O problema é que agora tem muita concorrência, e o espaço não é muito adequado. Se tivesse uma limpeza maior, uns banheiros públicos, vinha mais gente ainda'', criticou o vendedor.
Difícil acreditar que o local possa comportar mais gente do que o pessoal que lotou a barragem neste domingo. No caminho até o Zerão, é tarefa hercúlea encontrar uma faixa de grama desocupada. Ainda no lago, antecipando-se à lei, garotos utilizam côcos vazios como arma para espantar os jet-skis.
O casal Carlos e Roseli Buck chegou ao Zerão no final da tarde, já às 18 horas, ainda com o sol a pino. ''Vamos ficar até ele (o sol) ir embora. Minhas três filhas (de 6 anos, 1 ano e 5 meses) não me deixam estranhar o horário de verão, pois tratam de me acordar cedo'', disse Carlos. O Zerão, com todas as quadras, parquinhos e campos de futebol lotados, tinha seus ouvidos disputados por carros com sistemas de som potentes, que expeliam pagode, funk carioca e Jota Quest. Mas a tarde acabou na base do rock pauleira, mesmo, com shows de Primos da Cida e Legião Urbana Cover no Anfiteatro.

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