Em grandes cidades do mundo, é comum a oferta de roteiros históricos feitos a pé para que turistas e os próprios moradores possam interagir e conhecer aspectos locais que uma rápida passagem de carro ou ônibus não permitiria.

Na cidade de Londrina, essa oportunidade rica é oferecida pelas escolas municipais para os seus alunos, desde as séries iniciais. Trata-se do projeto Conhecer Londrina, promovido pela Secretaria Municipal de Educação, experiência que reafirma a convicção de que a educação pública pode (e deve) dialogar com o território onde se insere.

O município sempre se destacou por sua vitalidade urbana e por sua história marcada pelo encontro de diferentes culturas. E, hoje, Londrina conseguiu transformar essa herança em uma sala de aula viva, abrindo suas ruas, praças e monumentos como espaços de aprendizado.

Criado nos anos 1990 e retomado em 2002, o programa consolidou-se como uma ferramenta de formação cidadã. A proposta é simples, mas de grande valor: levar os estudantes a percorrerem os principais pontos históricos e culturais da cidade, complementando o que se aprende em sala de aula com experiências diretas.

O projeto é composto por sete roteiros e contempla várias regiões. Os responsáveis pelo projeto destacam que ao explorar a cidade (seus espaços, histórias, símbolos e pessoas), as crianças ampliam o repertório cultural e social e são despertados valores como respeito e pertencimento.

Um dos roteiros contempla a região onde está a Folha de Londrina, chamado Centro Histórico. Ali, as crianças conhecem o Memorial do Pioneiro, a Concha Acústica e as edificações presentes desde a década de 1960, além de uma rua de paralelepípedo. Também conhecem a Agência dos Correios, que ocupa o mesmo prédio desde os anos de 1950, e o Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, batizado assim em homenagem ao sertanista Cândido Mariano da Silva Rondon.

Ao unir passado, presente e futuro na prática pedagógica, Londrina mostra que formar cidadãos conscientes começa por reconhecer as histórias que estão à nossa volta. Cada olhar lançado sobre o patrimônio urbano é um exercício de memória e pertencimento. E é nesse diálogo entre o conhecimento e o território que a cidade reafirma seu papel como um verdadeiro museu a céu aberto — vivo, educativo e transformador.

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