Londrina sem comando contra o crime
Algumas boas sugestões têm sido dadas para diminuir a criminalidade em Londrina, mas a verdade é que não se promoveu até agora uma reunião séria para tratar da questão. Todos se manifestam isoladamente, mas ainda não se formou um grupo coeso para exame de idéias e adotar uma ação conjunta envolvendo os diversos segmentos da representatividade social e os agentes da segurança. Ontem uma jovem foi baleada à queima-roupa por um assaltante, na Avenida Higienópolis, depois de haver sacado uma importância em dinheiro da agência do Banco do Brasil. Ela não ofereceu resistência, mas mesmo assim o bandido deu-lhe um tiro no peito e fugiu a pé. Perguntar por que não havia ali nenhum policial não é o procedimento, afinal será impossível haver uma viatura defronte de cada agência bancária, até porque não é só ali que ocorrem atentados. Dentro do banco os agentes próprios estão presentes, não para proteger clientes mas o estabelecimento. Se ao menos um deles ficasse do lado de fora, um acontecimento como o de ontem poderia ter sido evitado, porque a presença de um guardião armado intimida. Mas os bancos não se preocupam com a segurança dos seus clientes, embora se valham dos agentes pagos pelo povo quando suas agências são assaltadas. Contudo, esta e outras do gênero não são as questões que se quer discutir neste espaço, e sim a necessidade de as pessoas com poder de decisão reunirem-se, de forma constante, para estudar fórmulas que aplaquem essa corrente de terror. Recentemente o major Sérgio Dalben, chefe da Diretoria de Pesquisa do 5º Batalhão da Polícia Militar, em pronunciamento a este Jornal propôs um esforço comunitário para ressocializar delinquentes, porque, conforme ele revelou, a maioria deles já tem passagem pela trilha do crime. Eles são, portanto, conhecidos e identificáveis, mas a Polícia não pode prendê-los apenas por isso. Até que eles cometam um novo crime, eventualmente fatal, ou sejam mortos. A sociedade teria de participar nessa campanha de ressocialização, mas ninguém deu importância à proposta. Nem o prefeito, nem os vereadores, nem os integrantes do Poder Judiciário, nem o Conselho Comunitário de Segurança e, provavelmente, nem o serviço de inteligência do próprio organismo policial. A sociedade protesta com razão, porque paga impostos para obter segurança mas não participa diretamente do processo de mudanças. É preciso que alguma liderança assuma o comando e consiga reunir os segmentos citados e possa mobilizá-los. Vozes que seriam ouvidas, numa missão dessa envergadura, seriam em princípio a do prefeito e a do juiz-titular do Fórum, pela força de sua representatividade. Meses atrás, também por via deste Jornal, um cidadão sugeriu a identificação de motos que pudessem estar conduzindo bandidos. Ele apresentou um convicente selecionamento, por características, e sugeriu que fossem abordados pela polícia os condutores das motos que ele classificou como suspeitas. Ninguém se importou em, pelo menos, levar adiante o experimento. Se ninguém tem a fórmula certa, as idéias que surgem precisam ser avaliadas, mas falta união nesse sentido. Londrina não tem líderes, nem na esfera política e nem na comunitária. Tem apenas ocupantes de postos públicos. E assim, as tragédias vão acontecendo. Por que não avaliar proposta como a do major Dalben, que é um agente do sistema e, portanto, com conhecimento do que propõe?!





