Londrina recebe trabalhadores rurais do Nordeste do País
Há outro tipo de transferência de mão-de-obra na região: ''bóias-frias'' vêm do Nordeste do País para a colheita de cana no Norte do Paraná. Esse movimento migratório descendente começou a ocorrer há 8 anos, segundo 'dona Lina', ''para evitar problemas de greve aqui na região''. Em 2001, vieram 5 mil trabalhadores nordestinos para Londrina, dos quais cerca de 500 acabaram ficando na cidade.
Essa frágil segurança propiciada pelo trabalho temporário resulta, no entanto, em seis meses de ociosidade, nos quais também é preciso sobreviver. Por isso, ''cerca de 30% dos trabalhadores rurais que vivem nos assentamentos urbanos explica dona Lina passaram a se organizar como catadores de papel''.
Os demais procuram outros ''bicos'' e os adolescentes dessas famílias precisam enfrentar, além das dificuldades comuns a todos os jovens para chegar ao mercado de trabalho, o pesado preconceito em relação à sua origem.
Nilson Ladeia acredita que, desse total de trabalhadores rurais que hoje buscam sobreviver na zona urbana, ''talvez 20% voltem para o campo, caso lhes sejam oferecidas condições para isso''. Os demais continuarão a ser um problema social, a ser absorvido, e preferencialmente resolvido, pela cidade.





