Londrina preserva sua história - Angela Farah Marçal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de março de 1998
Angela Farah Marçal 
Preservar obras arquitetônicas importantes é, nas civilizações mais evoluídas, um costume bastante difundido. Estas edificações guardam parcelas da história das cidades e das suas populações. O exemplo maior pode ser apontado na reconstituição da História da Civilização Romana, através de seu conjunto arquitetônico.
O Brasil, prestes a comemorar 500 anos de seu descobrimento, possui várias áreas tombadas como patrimônio nacional ou patrimônio da humanidade, mas como a preservação da memória nacional é algo recente, somente agora o poder público e iniciativa privada começam a investir, com leis e financiamento de obras de restauro e conservação. Isto se deve à efetiva colaboração da imprensa, professores e estudiosos que passaram a discutir e informar a importância da valorização e preservação do patrimônio, um assunto que até há bem pouco tempo não despertava o interesse da população.
Londrina dá o exemplo preservando sua história, de pouco mais de 60 anos, com atos importantes para o patrimônio cultural de sua população, ao transformar os prédios do início de sua colonização em espaços culturais: como os das estações ferroviária e rodoviária em museu histórico e museu de arte; do fórum em biblioteca pública, da Casa da Criança em Secretaria de Cultura, entre outros de igual valor. No momento em que os londrinenses recebem o Museu de Arte de Londrina, readequado e climatizado para o recebimento de obras de artistas brasileiros renomados, não podemos deixar de historiar e registrar a importância do prédio que hoje o abriga - a antiga estação rodoviária.
Construído em 1950, época em que os pioneiros ainda enfrentavam as grandes dificuldades do início da colonização no norte do Paraná, o moderno prédio da estação rodoviária foi sinônimo de progresso. O então prefeito, Hugo Cabral, solicitou o projeto ao arquiteto paranaense Vilanova Artigas, considerado hoje um dos maiores nomes da arquitetura brasileira. Em 1952, o prefeito Milton Menezes promoveu a inauguração do prédio, que foi tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico, em 1974, como primeiro prédio da arquitetura moderna do Estado e único de Londrina.
A estação rodoviária foi desativada em 1988. O prédio foi destinado a abrigar um espaço de cultura. Em 1990 e em 1992, bastante deteriorado, passou por reformas, projetadas pelos arquitetos Jorge Marão e Antonio Carlos Zanni. Em 1993, foi criado o Museu de Arte de Londrina. E, hoje, os londrinenses recebem o espaço totalmente restaurado e climatizado para a conservação das obras de seu acervo, bastante enriquecido no último ano.
Vale ressaltar a luta dos londrinenses, representada pelos artistas e apreciadores da arte e cultura, para a concretização desta obra. Os membros do Conselho Municipal de Cultura e a imprensa, que muito se empenharam na destinação do prédio. A parceria da prefeitura com a Viação Garcia e sua associação de funcionários, que financiaram a reforma do prédio, em 1992. A Samalon, Sociedade de Amigos do Museu de Londrina, criada há um ano, que colaborou na captação de recursos e de acervo de obras. A assessoria dos técnicos da Secretaria de Estado da Cultura, nos estudos das características originais do prédio para seu restauro.
Agradecemos ao prefeito Antonio Belinati que, com sensibilidade, destinou o prédio para abrigar um espaço de cultura e promoveu sua primeira reforma. E, atualmente, recursos para sua readequação, além de disponibilizar funcionários para atuar no museu. Belinati demonstra com isso que a sua administração atende aos diversos setores da comunidade, seja através da industrialização, do asfalto, dentre outras obras sociais, formando o tripé sobre o qual se apóia a cidadania de um povo: fatores econômico, social e a cultura. Parabéns Londrina!
- ANGELA FARAH MARÇAL é secretária municipal de Cultura


