Daqui a quatro dias, o eleitor londrinense terá que voltar às urnas em um inédito ''terceiro turno'' e eleger o prefeito e o vice-prefeito para os próximos 43 meses. Em Londrina, pelo menos nos últimos 20 anos, a figura do vice-prefeito tem passado ao largo da administração municipal. Com salário de R$ 5.199,48, o vice-prefeito não é obrigado, por lei, a assumir uma função específica no governo, e pode ficar apenas como sucessor do chefe do Executivo em casos de vacância do cargo.

Em entrevista à FOLHA, os candidatos a vice-prefeito anteciparam como pretendem atuar na administração caso sejam eleitos.

O critério estipulado para a publicação das entrevistas foi a ordem alfabética dos cabeças de chapa. Por isso, o primeiro entrevistado é o vice do candidato Barbosa Neto (PDT), José Joaquim Martins Ribeiro (PSC).

Nascido em Cornélio Procópio, Ribeiro reside em Londrina desde 1977. Trabalhou na zona rural até os trinta anos de idade. ''Estudei depois de adulto'', conta, acrescentando que cursou a faculdade de contabilidade pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Casado e pai de três filhas, Ribeiro atua na área contábil há cerca de trinta anos. Indagado sobre seu envolvimento com a política, ele afirma que sua formação vem das entidades sindicais. Ele foi presidente do Sindicato dos Contabilistas, do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná e atualmente cumpre o segundo mandato à frente do Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina (SESCAP). Em 2004, foi candidato a vereador pelo PSDC, mas não foi eleito. ''Consegui 1200 votos, mas o partido era pequeno'', fala.

Para Ribeiro, ser candidato a vice-prefeito é uma experiência nova. Na opinião dele, a situação do lixo e das creches devem ser prioridade em Londrina.

Nos últimos governos os vices não assumiram funções específicas. Se eleito, o senhor pretende assumir alguma secretaria ou tem algum projeto para implementar?
Eu não pretendo assumir secretaria. Quero trabalhar junto com o secretariado, mas não ser um secretário. Vou ficar muito próximo do Barbosa nas decisões. Vamos ter um diálogo bem legal. Quero acompanhar as secretarias. Nos últimos anos em Londrina cada secretário tinha um projeto de governo. Vamos executar um projeto único para Londrina. O secretário tem que trabalhar dentro do projeto do governo, não podendo ter ações separadas. Ele pode ter idéias e trazer para discussão. A política da saúde é diferente da educação, porém as duas estão no plano de governo do Barbosa.

Para o senhor, qual é a função de um vice-prefeito?
A primeira é substituir o prefeito quando ele tem que viajar, está de férias, doente ou outros motivos. Fora isso, a função do vice é ficar próximo do prefeito. Na minha opinião, o prefeito e o vice devem ser sócios na execução de um projeto. Tenho conversado bastante com o Barbosa e ele tem pedido para continuarmos com esse diálogo.

Como está trabalhando para angariar votos durante a campanha?
Estou trabalhando bastante na minha área contábil. Também estou acompanhando o Barbosa nos comícios e durante o dia ele tem uma agenda e eu outra. Com certeza estou ajudando a trazer votos. Estou visitando as empresas, apresentando nossos projetos, ouvindo o que o empresariado fala.

Na sua opinião, o vice consegue influenciar a decisão do eleitor?
Eu tenho certeza. Os candidatos se completam. No meu caso, o Barbosa é um profissional que tem um conhecimento político muito acima do meu, as amizades dele são fortes. Eu sou mais quieto. O vice pode balancear a administração. São perfis diferentes.

É a primeira vez que acontece um ''terceiro turno'' no país. Como avalia essa situação inédita em Londrina?
É uma eleição atípica. Principalmente os eleitores do Antonio Belinati estão magoados com a decisão judicial. Porém, estamos dizendo a eles que felizmente ou infelizmente é uma decisão judicial. A sociedade tem que entender que o voto é a obrigação de cada um. Temos que parar de criticar a Justiça, que eu até acho que atrasou na decisão (de impugnar a candidatura de Belinati). O 'terceiro turno' pode divulgar a cidade de forma negativa, mas tem o lado positivo. A cidade está na mídia há muito tempo. Eu digo ao Barbosa que se nós tivermos projeto, a cidade de Londrina é fácil de vender, tem uma localização importante. O que Londrina precisa é de um administrador que tenha credibilidade.

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