O Índice Firjan de Desenvolvimento dos Municípios (IFDM) é uma ferramenta valiosa para medir o progresso socioeconômico das cidades brasileiras. Londrina, embora tenha mostrado avanços constantes desde o início da série histórica, em 2013, perdeu posições importantes no ranking estadual. A cidade caiu do 3º lugar naquele ano para a 20ª colocação em 2023. Essa tendência de queda é preocupante e revela um ritmo de desenvolvimento mais lento em comparação a outras cidades paranaenses — especialmente em áreas fundamentais como saúde e educação.

A explicação para essa desaceleração relativa não está em uma piora dos indicadores, mas sim na velocidade com que outros municípios têm evoluído. O Paraná, ao lado de São Paulo, domina as primeiras posições do ranking nacional, com cidades como Curitiba, Maringá e Toledo entre as mais desenvolvidas do país. Enquanto isso, Londrina, maior cidade do interior paranaense, enfrenta problemas crônicos, como a fila de mais de 3 mil crianças à espera de vagas em creches e uma demanda reprimida de 160 mil pacientes na saúde, aguardando consultas, exames e cirurgias. Essas falhas estruturais afetam diretamente o desempenho da cidade no IFDM.

Outro fator que limita o avanço de Londrina é sua menor industrialização em relação a municípios concorrentes. Apenas 12,5% dos empregos formais da cidade estão na indústria, contra 18% em Maringá. Esse dado é relevante porque a indústria costuma gerar empregos mais qualificados e estáveis, impactando positivamente o indicador de Emprego e Renda, justamente o único pilar do IFDM em que Londrina apresenta desempenho elevado.

Segundo o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, o município precisa investir em uma estratégia de desenvolvimento mais robusta e planejada, que envolva desde a reestruturação da matriz econômica — com foco na industrialização — até o aumento da efetividade do gasto público nas áreas sociais. Sem isso, a cidade corre o risco de ver o fosso aumentar em relação às líderes do ranking, tornando cada vez mais difícil recuperar posições no futuro.

É urgente que Londrina reaja. A maior cidade do interior do estado não pode se acomodar com um crescimento lento. É preciso agir com planejamento, foco e ousadia. Melhorar a gestão pública, qualificar os serviços essenciais e estimular setores produtivos estratégicos são caminhos inadiáveis. Se quiser manter sua relevância no cenário estadual e nacional, Londrina precisa acelerar.

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