Londrina perde força política
A partir do ano que vem, Londrina terá apenas um representante entre os 513 parlamentares eleitos para a Câmara Federal
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terça-feira, 06 de outubro de 2026
A partir do ano que vem, Londrina terá apenas um representante entre os 513 parlamentares eleitos para a Câmara Federal
O resultado das eleições para o Legislativo, no último domingo (4), deixa Londrina diante de uma questão difícil se consideradas as cadeiras conquistadas a partir de 2027. A segunda maior cidade do Paraná e principal polo do interior terá a mesma representação na Assembleia Legislativa, com três deputados, mas verá sua bancada na Câmara Federal encolher de quatro para apenas um parlamentar. É uma perda política que não pode ser ignorada.
Na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), saíram Tercilio Turini (MDB), Cloara Pinheiro (PSD) e Jairo Tamura (PL). A partir de 1º de janeiro de 2027, eles serão substituídos pelos vereadores Jessicão (PL) e David Wisley (Novo) e pelo ex-secretário municipal de Saúde, Felippe Machado (PP), eleito com 43.300 votos.
A situação mais preocupante é na Câmara dos Deputados, em Brasília, que a partir do ano que vem terá apenas um londrinense entre os 513 parlamentares eleitos. O ex-prefeito Marcelo Belinati (PP) foi o único que angariou votos suficientes.
Atualmente, a bancada de Londrina na Câmara Federal é formada por Luísa Canziani (União), Diego Garcia (União), Filipe Barros (PL) e Luiz Carlos Hauly (Pode). Barros concorreu a uma cadeira no Senado e foi o mais votado no Paraná.
É claro que não podemos estabelecer uma relação automática entre o número de deputados e a quantidade de recursos destinados a um município. Mas é inegável que representatividade significa presença, articulação e capacidade de defender demandas locais nos espaços onde decisões importantes são tomadas e recursos públicos são disputados.
Em âmbito estadual, as três novas lideranças, com trajetórias e prioridades distintas, terão agora a responsabilidade de transformar a expressiva votação recebida em representação efetiva dos interesses de Londrina e da região.
A preocupação manifestada pelo prefeito Tiago Amaral em entrevista à FOLHA é legítima. Emendas parlamentares, articulações junto aos ministérios, defesa de obras de infraestrutura e participação nas grandes discussões nacionais dependem também de interlocução política. Uma cidade que pretende disputar investimentos, melhorar sua infraestrutura e consolidar sua posição como polo regional precisa ter representantes capazes de construir pontes e negociar em diferentes instâncias de poder.
Assim, a eleição deste ano também deixa uma pergunta incômoda para a própria cidade: por que Londrina, com um eleitorado próximo de 400 mil pessoas, não conseguiu eleger uma bancada federal mais numerosa?
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