Segundo o IBGE, entre os seis municípios com maior PIB do Paraná em 2010, Londrina foi o que teve o menor crescimento entre 2000 e 2010 (194,5%), ficando atrás de São José dos Pinhais, Paranaguá, Curitiba, Araucária e Maringá. Enquanto outros municípios investiram fortemente na captação de indústrias e geração de empregos ao longo dos últimos 20 anos, Londrina teve uma sequência de gestões conturbadas nas quais os destaques na mídia foram os escândalos políticos e financeiros que, além de não contribuírem para agregar valor à cidade, colaboraram para afugentar potenciais investidores e a perda de importantes empresas para municípios da região.
E a força de uma gestão eficiente faz toda a diferença. Joinville (SC), por exemplo, que tomou de Londrina o posto de terceira maior cidade do Sul do Brasil teve um crescimento de 293% do PIB entre 2000 e 2010 e, apesar de ter um aeroporto com movimento e pista menores que Londrina, já tem instalado o seu ILS pela força de sua indústria. Enquanto Londrina tem previsão para recebê-lo somente em 2019, conforme informou a Folha de Londrina na sua edição do último dia 21.
E quando se fala em indústria não se pode pensar somente no segmento industrial propriamente dito, mas também na indústria turística, quase sempre ignorada pelos governantes e, muitas vezes, invisível à população. Esse importante setor de geração de emprego e renda tem um peso significativo para o PIB de um país, Estado ou município. Conforme o IBGE, em 2012 a indústria do turismo gerou uma receita cambial de US$ 6,6 bilhões para o Brasil. Segundo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), divulgado em junho de 2011, o impacto direto do turismo no Brasil em 2011 seria de 3,3% do PIB equivalente a R$ 129,6 bilhões, com projeção de crescimento de 4,8% ao ano, sendo um dos setores que mais empregam mão de obra, direta e indireta, no País.
E o que me chama a atenção é ver a polêmica discussão em torno da construção de uma passarela-portal em frente do Parque Ney Braga que, do meu ponto de visa, irá agregar valor turístico à cidade de Londrina, assim como fizeram a outras cidades do Paraná, como Santa Fé e Cianorte, por exemplo, citadas na matéria "Antes de ser erguido, ‘Big Ben’ vira passarela para a polêmica" (Reportagem, 22/9). Em Gramado (RS), os portais se tornaram cartões postais e referência turística para aquela cidade que investiu fortemente nesse setor.
Durante muito tempo Londrina esteve cabisbaixa, patinando no tempo sobre o lamaçal dos equívocos políticos. Porém, está mais do que na hora de levantarmos a cabeça, olharmos à frente para um horizonte de prosperidade e persegui-lo com tenacidade. Temos um enorme potencial turístico adormecido, quase sempre ignorado pelos gestores, que pode impulsionar nossa economia, gerar renda e emprego, valorizar nossa cultura e tornar Londrina referência turística, assim como tantas outras cidades o fizeram.
Não sou especialista no setor, mas como apaixonado por esse tema creio que seja perfeitamente possível planejar e executar propostas de investimentos, das mais simples às mais ousadas, em intervenções paisagísticas, arquitetônicas, estruturais e tecnológicas que, isolada ou conjuntamente, possibilitem criar, expandir e/ou potencializar os inúmeros recursos turísticos do município, com geração de emprego e renda, e que tornem Londrina referencial turístico para o Paraná. Nesse sentido pretendo apresentar ao município, a título de sugestão, um projeto de fomento à indústria do turismo em Londrina, composto por 19 subprojetos de investimentos que, espero, possam contribuir para alavancar o turismo local.
Citando o filósofo Séneca: "Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis, entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las".

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