Não se pode conceber que uma pessoa que furtou R$ 4 de um hotel (importância que foi devolvida) continue presa durante dez meses, em Londrina. Esta é apenas uma demonstração do caos em que se encontra o sistema prisional e que não é apenas desta cidade mas de todo o Paraná. A denúncia foi publicada ontem neste Jornal e revelada pela oportunidade da cobertura de uma nova tentativa de fuga de detentos, no 2º Distrito Policial. O fato alertou para outro problema, um deles a infestação de sarna entre os presos desse núcleo. Visitantes de detentos revelam que doenças de pele infestam frequentemente esses reclusos, que somam 250 e se aglomeram este o outro problema detectado num espaço onde só cabem 64. Os defensores do ''quanto pior melhor'', em se tratando de delinquentes, talvez não atribuam importância ao fato, mas a sociedade por via de suas representações institucionais não pode permitir essa tortura a que são submetidos seres humanos, e mesmo que fossem quaisquer outros viventes. A mãe do rapaz que furtou os R$ 4 diz que ''falta sensibilidade de promotores e juízes para analisar caso a caso'', e parentes se queixam do ''grande número de presos já condenados que continuam na detenção provisória''. Uma mulher disse a este Jornal que faz mais de um ano que o marido está nessa condição. Quanto às doenças da pele, elas também são transmissíveis aos visitantes, podendo alastrar-se para fora das celas. O delegado do 2º DP, Marcos Fontes, diz que vem solicitando da Secretaria Municipal de Saúde um médico para atendimento semanal aos presos, mas que não é atendido. Ouvido por este Jornal, um atendente da Secretaria apenas afirmou que o caso será verificado. O delegado Fontes ressalta que o novo Centro de Detenção irá aliviar o problema mas não resolvê-lo, significando que os transtornos destacadamente o excesso de lotação nos cárceres irão continuar. A alegação é que, pelo grande número de presos e o pouco espaço, não há condições de isolar os atacados de sarna, trocar colchões e ferver todas as roupas. Certamente que não é dessa forma que se irá ressocializar delinquentes, que procurarão sempre fugir. O delegado afirma que também a Vara de Execuções Penais e o Ministério Público foram comunicados da infestação. A celas são um verdadeiro inferno, no dizer daqueles que caem dentro delas e dos que as visitam. Ante tanto problema, tanta solicitação de ajuda e tanto descaso das instituições, conclui-se que falta mesmo vontade, no mínimo para extirpar o problema da sarna. Pergunta-se também porque os vereadores não interferem em casos como os denunciados, pois isto é também da incumbência deles. Se os poderes públicos de Londrina não conseguem detectar e curar a sarna de uma comunidade de presos dependendo que os veículos de comunicação denunciem então podem decretar-se falidos. É o descaso chegando à culminância.

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