Impossível que o poder público ou qualquer outra instituição em Londrina não tenham condições de preservar uma locomotiva histórica, como a maria-fumaça que está defronte do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), que corre o risco de ser levada embora para Curitiba por abandono. Os vândalos a estão depredando e ninguém faz nada para defendê-la. Assim acontece com os vagões junto do Museu, que estão ao tempo. Quando com relação a estes resolveram dar-lhe abrigo, a solução ia sair mais prejudicial que a eventual perda daquelas peças históricas, porque estavam pretendendo intervir no prédio do Museu Histórico por via de um anexo que os acolhesse obra de bons arquitetos mas nem por isso fora de propósito. Por esse projeto, seria descaracterizada parte dos fundos do majestoso edifício. A reação popular, porém, não o permitiu. Uma construção simples e segura, sem muito requinte arquitetônico, poderia abrigar o trem ameaçado de dar o apito de despedida e vagões que trouxeram os pioneiros. Área não falta, ali mesmo nas proximidades do Museu. Incrível é que já se faz negociação para devolver a locomotiva à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Essa máquina é um autêntico exemplar da lendária maria-fumaça, movida a vapor gerado pela queima de lenha ou carvão nas suas caldeiras. Os espirros da máquina, sôfrega e furiosa e espargindo a fumaceira branca do vapor à sua chegada, encantava aos que iam à estação ferroviária. Ao mirar aquele trem na praça e os vagões do lado externo do Museu, essas lembranças são revividas por aqueles ainda vivos (e são tantos) que viveram aqueles anos, e pelos descendentes que souberam das histórias por ler e ouvir contar. A relíquia, agora sofrendo o estigma do degredo, foi fabricada em 1905 na Bélgica. Tem portanto 100 anos, muitos para uma cidade de 70. O pequeno trem foi colocado ali na última gestão do prefeito Antonio Belinati e desde então atravessou quase duas administrações municipais. Mas, por estar exposto, sofreu danos provocados pelo vandalismo. A cidade se apega às marcas históricas, e os trens figuram entre elas, porque foi esse transporte que propiciou o desenvolvimento de muitas cidades do mundo. Com Londrina não foi diferente. Trens e vagões são objetos, mas merecem reverência. Impossível acreditar que não haja em Londrina uma instituição, pública ou privada, que não consiga tão minguada soma em dinheiro para edificar um teto para essas preciosidades. Essa construção não seria mais que uma garagem de maior tamanho melhor dizer uma gare, palavra que se apropria aos trens. Londrina não pode perder o trem. E isto vale para muitos sentidos.

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