Caos quer dizer total confusão e desordem. Não é o caso de Londrina. Mas certos candidatos querem fazer crer que a cidade está assim, e que eles estão chegando para salvá-la.
Uns declaram que Londrina tem que voltar a sorrir, mas vemos que as pessoas que já sorriam continuam sorrindo como sempre sorriram. Outros proclamam que vão fazê-la renascer, mas não consta que Londrina tenha morrido. Ela está viva e muito viçosa. Só renasce o que está morto. Outros mais, dizem que vão restabelecer isto e aquilo, como se as qualidades da gente londrinense tenham se esvaído e as pessoas estejam vivendo uma depressão.
Episódios recentes envolvendo a vida política municipal provocaram abalos, mas não desintegraram a cidade nem alteraram a sua substância.
Ora, quem ama Londrina não a inqualifica. Pela boca de alguns candidatos a cidade está em ruína, mas isto não é uma verdade. E não será semeando esse pessimismo que irão conquistar a simpatia dos cidadãos. Que se orgulham muito da cidade e estão contentes com ela.
O que é uma cidade? É a sua estrutura física, seus cidadãos e sobretudo os seus ideais. E os ideais de Londrina nunca deram lugar ao negativismo. Aqueles que deveriam nos passar otimismo e entusiasmo, já que buscam ser os dirigentes do mecanismo político-administrativo da comunidade, comparecem à televisão e aos palanques para nos fazer acreditar que Londrina está no fundo do poço. Ao proclamar com tanta ênfase os defeitos da cidade, esses candidatos estão, na verdade, inqualificando os cidadãos. Porque são os cidadãos que constroem a cidade, são eles que sinalizam, para o poder público, as suas necessidades e os seus anseios.
Como todas as cidades deste Brasil ainda subdesenvolvido, Londrina tem seus bolsões de carências, como favelas e assentamentos e as mazelas daí decorrentes – porque, por ser pólo regional, continua atraindo gente, incluindo gente pobre e sem-teto – mas não tem descuidado das políticas habitacionais e nunca cessou a implantação de conjuntos de moradias populares, sem os quais os problemas da habitação seriam hoje muito graves e insustentáveis.
Com tudo isto, há que se admitir que Londrina é uma das mais bem estruturadas cidades do País, despertando logo a admiração daqueles de fora que aqui chegam. Pode-se dizer que, se faltam muitas coisas, temos aqui tudo o que há do bom e do melhor, e isto está à disposição da grande maioria da população.
Londrina tem um povo comunicativo e hospitaleiro. É dotada de estrutura física agradável, privilegiada por muita luz e por um céu profundo, o que muitos não percebem, no entanto sentem. É bem arborizada, e arborização já é um conceito arraigado entre os cidadãos e os administradores públicos, uma herança dos primeiros prefeitos. Tem ótimas universidades, tanto no que respeita à área acadêmica quanto à estrutura física, estando a UEL implantada em câmpus planejado e com capacidade infinita de expansão. A cidade dispõe de imensa gama de cursos, sobre tudo o que se quer aprender. Tem excelente estrutura médico-hospitalar, e serviços de toda natureza. Bons veículos de comunicação, eventos culturais de nível e considerável estrutura de diversão e lazer. É cidade modelo em comunicação. Possui bons sistemas de transporte urbano, rodoviário e aeroviário, com uma estação rodoviária funcional e um aeroporto em processo de expansão. Não tem áreas em deterioração, mas ao contrário o que se observa é sempre uma busca de renovação, e não há ponto da cidade em que algo novo não esteja sendo edificado. Londrina está em constante crescimento e todos percebem que não há estagnação por aqui. A cidade dispõe de completa rede de lojas, shoppings e supermercados, e de excelentes profissionais em todas as áreas. A usina de captação de água do Rio Tibagi garante o abastecimento para hoje e para as gerações futuras. A cidade dispõe de vasta rede de esgotos e uma já assentada decisão de implantar uma usina de reciclagem do lixo. É sede de um instituto agronômico que se pode nominar de universidade rural, tem um centro nacional de pequisa de soja e outros produtos, o que confere a Londrina uma posição de vanguarda nessa área tecnológica. Promove destacado evento anual agropecuário e industrial, tem um respeitável parque de indústrias e, sobretudo, uma bem fundamentada estrutura de prestação de serviços, o que parece estar se definindo como a grande vocação de Londrina.
Agora vivemos tempos de eleição, e as pessoas estão cansadas de velhos discursos. Querem administradores públicos que pensem não em governar os cidadãos, mas que entendam que os cidadãos é que devem governar as suas decisões.
Londrina não quer que ninguém venha falar de seus defeitos, porque isto será negar a obra de sua gente; nem aceita ouvir que é preciso restabelecer a sua dignidade, eis que a cidade nunca a perdeu; não quer ninguém com presunções de pretender salvá-la, porque ela já está salva, eis que os cidadãos lhe dão essa garantia.
Candidato que exalte Londrina e venha com idéias concretas de coisas novas, de melhorar o que existe e de solucionar problemas, este será bem- vindo. Mas quem declara que a cidade está mal não a conhece, portanto não a vê com bons olhos e não é digno de governá-la.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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