Londrina não é Lava Jato
Edson Gradia
Generosa, irredentista e pioneira, Londrina é uma referência positiva no Brasil. Nas suas oito décadas construiu história civilizatória que se estendem pelo norte-paranaense. O desafio da sua colonização, iniciada pelos ingleses da "Parana Plantation", teve notável continuidade pela Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, na administração e implantação de glebas rurais, sustentadas na pequena e média propriedade. Os pioneiros colonizadores, derrubando as matas e plantando café, gerariam a base econômica que teve importância marcante na modernização do estado do Paraná. Em uma época em que a riqueza cafeeira correspondia a 60% das exportações do Brasil, a região chegou a ser responsável por 51% dessa produção. A distribuição da renda e da riqueza proporcionou prosperidade para a emergente classe média e empresas que se formavam e expandiam, sem paralelo na sociedade brasileira. Esta é a verdadeira história de Londrina.
Lamentavelmente, nos últimos tempos, ela vem sendo agredida pela sequência de acontecimentos marginais. Escândalos de corrupção municipal, estadual e nacional frequentam o noticiário político e policial, traumatizando e envergonhando uma sociedade progressista que fez do trabalho a essência da sua vida. Na Operação Lava Jato, anteriormente na Operação Banestado CC-5, na Operação Receita Estadual e até recentemente, desmontando quadrilha de distribuidores nacionais de cocaína, com destacada presença nos noticiários jornalísticos. A corrupção invadiu, pela ação de audazes aventureiros e adventícios, expressivos segmentos da sua vida. Felizmente, pela ação dos ministérios públicos estadual e federal e da Polícia Federal, o combate aos ladrões do dinheiro público está ocorrendo. Cabe à sociedade ser vigilante e não passiva e omissa na aceitação convencional com esses malandros engravatados.
A história de Londrina é de bravura e coragem. Nunca se curvou aos poderosos do dia. Na década de 50, quando o governo JK fixou preços irrealistas para o café, foi daqui que partiu a célebre "marcha contra a espoliação cafeeira". Em tempos mais recentes, quando dominava o autoritarismo militar, foi o principal núcleo de resistência no Estado. Com repercussão em toda a Região Sul do País. Por ser à época a 3ª cidade da região, a eleição direta para o executivo municipal só se realizava aqui. A primeira cidade do Sul era Porto Alegre e a segunda Curitiba, nelas os prefeitos eram nomeados bionicamente. Elegeu prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais e senadores no partido de oposição. Na década de 70, tinha dois senadores eleitos pelo MDB, cinco deputados federais e quatro deputados estaduais. Em 1982, elegia José Richa governador e Alvaro Dias, senador, que o sucederia em 1986. O saudoso José Hosken de Novaes, ex-prefeito e exemplo de homem público, também foi governador do Paraná. Ao longo da história, nas décadas de 50 e 60, elegia representantes que dignificariam os valores republicanos. Os londrinenses Amaury de Oliveira e Silva (foi ministro do Trabalho do governo João Goulart) e Nelson Maculan (candidato ao governo perdeu por poucos votos para Ney Braga) foram senadores com marcantes presenças na vida nacional. Igualmente o deputado federal Ivan Luz que chegaria à presidência do Tribunal de Contas da União.
É em nome desse passado digno e compromissado com o futuro que a cidade precisa voltar às suas origens. Em 10 de dezembro completará 81 anos de sua emancipação. Em uma sucessão de gerações, onde filhos e netos honrem o legado daqueles valentes pioneiros que edificaram essa realidade. Combata os aventureiros e oportunistas, assaltantes debochados dos valores de uma sociedade decente. Não permita que se repitam manchetes como a de um jornal nacional que, recentemente, publicou: "Tudo começou em Londrina". Tratava das investigações da Lava Jato e alguns dos seus notórios personagens. Essa Londrina precisa ser sepultada em cova de dez metros de profundidade. Para que isso ocorra, o seu povo precisa, conscientemente, deflagrar guerra sem trégua contra os corruptos e os seus corruptores.
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