A proposta do Executivo Municipal, prevendo a extinção do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), é extremamente preocupante. Mesmo acreditando-se que a mesma não será aprovada pela Câmara de Vereadores, fica a grande preocupação com a atitude do prefeito, que enviou mensagem à Câmara com esse fim, o que demonstra a maneira desinteressada como esse instituto é visto por ele.
Em seus nove anos de história, o Ippul realizou projetos e ações de extrema relevância para a comunidade londrinense. Desenvolveu o Plano Diretor, projeto essencial estabelecendo diretrizes e metas a serem alcançadas visando o aperfeiçoamento das relações urbanas, articulando políticas públicas e visando a melhoria da qualidade de vida do cidadão. Infelizmente, salvo raras exceções, esse poderoso instrumento tem sido ignorado pelos administradores públicos.
Projetos de extrema importância como consequência de propostas do Plano Diretor foram realizados, visando garantir o equilíbrio no ambiente urbano e preparando a cidade para o futuro.
Deve-se destacar os projetos relacionados ao sistema viário, entre os quais as transposições da Avenida Higienópolis com Avenida Juscelino Kubitschek, da Avenida Rio Branco com Avenida Leste Oeste, da BR-369 com Rua Serra do Roncador e da Avenida Maringá com Lago Igapó II. Projetos ambientais foram feitos, como do Lago Norte, revitalização e reurbanização dos fundos de vale Lagoa Dourada, Vale do Rubi e Córrego Água Fresca. Outras centenas de projetos foram executadas, entre os quais pode-se destacar inúmeras alterações no sistema viário, como as rotatórias dos Pioneiros (Alameda Manoel Ribas com Rua Souza Naves) e da Avenida Santos Dumont com Juscelino Kubitschek, a implantação de onda verde na Avenida Maringá, Rua Goiás e Avenida Juscelino Kubitschek, contribuindo para a melhoria da fluidez, diminuição de acidentes e eliminando pontos críticos do sistema viário.
Existe hoje um grande equívoco no tratamento dessa questão em nossa cidade. O Ippul deveria hoje ser um organismo de apoio do Executivo Municipal voltado para os interesses da comunidade londrinense. Deveria estar atuando fortemente nas áreas de pesquisa e planejamento, buscando a cooperação técnica e científica em conjunto com as nossas instituições universitárias. Isso deveria ser feito através de convênios visando o aperfeiçoamento técnico e desenvolvimento tecnológico. O tratamento de dados e informações é área estratégica para um município do porte de Londrina, sendo o Ippul o órgão que deve atuar nessa área, conjuntamente com as instituições de ensino superior e outros organismos.
O Executivo Municipal, através do Ippul, deveria estar aplicando, discutindo e aperfeiçoando as propostas constantes do Plano Diretor de Londrina, aprovado em 1998. Paralelamente deveria estar trabalhando nos Planos Setoriais, que fazem parte da proposta deste Plano. Alguns dos Planos que devem ser executados na sequência do Plano Diretor são o Plano de Transportes e Sistema Viário, Plano de Habitação, Plano Diretor de Saúde, Plano Diretor de Meio Ambiente e Plano de Desenvolvimento Industrial, entre outros, que lamentavelmente não estão sendo executados. É necessário que esses trabalhos sejam feitos e colocados em prática o quanto antes.
Da parte da reforma administrativa proposta pela prefeitura, é necessária uma discussão mais aprofundada, e não de forma superficial e apressada como se está querendo fazer. O Executivo Municipal ao falar em economia deve admitir e propor uma reformulação mais profunda e consubstanciada nas áreas que atingem o planejamento, obras e operações. As funções e atribuições destinadas às secretarias de Planejamento, Obras e CMTU (ex-Comurb) precisam ser discutidas de forma mais aprofundada. Será que não seria mais adequada e econômica a implantação de uma Secretaria de Transportes para Londrina? O Plano Diretor traz como destaque a implantação de eixos viários estruturais, com previsão de implantação de canaletas para o transporte público. É hora de se começar a agir, com os olhos no futuro que rapidamente se aproxima. Senão em pouco tempo teremos sérios problemas no trânsito da nossa cidade.
As épocas que apresentam dificuldades financeiras são as que mais favorecem o exercício do planejamento, que dentre as atividades ainda é a que exige menos recursos comparados com outras, e permite a aplicação apropriada dos recursos, quando os mesmos estiverem disponíveis. Dessa forma dizer não ao Ippul é colocar Londrina na reta oposta do desenvolvimento equilibrado, indo na contramão do planejamento, o que custará muito caro a todos nós no futuro próximo.


- MARIO STAMM JUNIOR é ex-presidente do Ippul

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