Londrina é superlativa em tantas coisas mas incapaz de solucionar o problema de seu aeroporto, que fecha quando chove e causa grande transtorno aos passageiros. Nestes dias de chuva contínua e sem visibilidade, inúmeras chegadas e partidas foram suspensas, com usuários impedidos de viajar e outros tantos interrompendo a sequência de vôos, muitos deles para o exterior, conforme este jornal testemunhou. Imagine-se pessoas com com passagens internacionais marcadas para o dia e ficarem retidas, sem outras opções, porque o recurso do ônibus para o embarque em São Paulo não alcançaria um vôo da mesma noite, e o uso de táxi, além de representar quase o mesmo risco, teria um custo elevado demais. A maioria dos casos é de passageiros que precisam fazer conexões internas e retornar às ruas origens, perdendo compromissos e dias de trabalho, como se comprovou nesta semana de chuva constante nesta região.
Uma fórmula de amenizar a situação é o decantado ILS sigla de Instrument Landing System, ou operação por instrumento que Londrina não possui e que esbarra na falta de decisão de quem de direito para instalá-lo. O ILS, cuja aquisição e implantação da logística necessária custam caro, não é ainda a garantia de pousos e decolagens com qualquer tempo, mas resolveria bastante o problema e permitiria grande abertura para essas operações. Tê-lo, já colocaria Londrina na mesma linha dos grandes aeroportos brasileiros; não tê-lo, é a cidade optar pela continuidade dos tempos do aeroplano e do campo de aviação, como se dizia nos primórdios. E o que falta? Disposição da comunidade para mobilizar-se e acionar o poder público.
A informação que se tem é que a verba correspondente já foi liberada pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), mas falta definir a desapropriação de áreas anexas que também permitirá a ampliação da pista e, assim, habilitar-se à licitação para aquisição daquela aparelhagem. Falta, enfim, o dever de casa, parecendo que quem não quer o ILS são os próprios londrinenses. A novela se estende e não se vislumbra teto para decolagem do ambicionado serviço. E assim, o aeroporto da metrópole, que serve a uma vasta região abrangendo também cidades ao sul do vizinho Estado de São Paulo só serve em tempo de bonança e fica emperrado diante de uma tênue garoa. A condição de cidade pólo trouxe benefícios para Londrina mas também obrigações e compromissos, mas parece que as autoridades responsáveis não se apercebem disto, ou, no mínimo, estão pouco preocupadas.

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