Nascida em 1934, Londrina vai completar 68 anos em dezembro próximo. Apesar de ter ultrapassado os 60, porta de entrada para a terceira idade, ainda é muito jovem para uma cidade. Ou nem tanto, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma taxa de população idosa superior a 7% significa que o município está ''envelhecido''. É o caso de Londrina, onde 9,3% da população 41.780 pessoas têm mais de 60 anos.
No Brasil, embora se discuta o assunto há muitos anos, a questão da terceira idade só chamou a atenção do poder público em 1994, quando foi instituída a Política Nacional do Idoso, visando assegurar direitos sociais e criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.
Londrina, contudo, talvez por se perceber grisalha antes do tempo, foi pioneira, entre os municípios brasileiros, a implantar uma Secretaria do Idoso, em 2000, sob a batuta do cardiologista Luiz Carlos Miguita, que promoveu em sua gestão como secretário uma série de atividades com a população de terceira idade. Entre elas, fez uma pesquisa, em parceria com uma equipe multidisciplinar de profissionais e acadêmicos, com o objetivo de traçar o ''Perfil do Idoso de Londrina''.
Realizada em dezembro de 2000, a pesquisa entrevistou 952 idosos, dos quais 560 mulheres (58,8%) e 392 homens (41,2%). Entre os dados críticos observados, está o alto índice de analfabetismo, de 19,18%. ''É uma geração que não pôde frequentar escolas'', comenta Miguita, ''e acabou dando prioridade para a educação dos filhos, acreditando, assim, garantir a ascensão social familiar''.
A grande maioria dos idosos, ainda segundo a pesquisa, tem renda mensal de um salário mínimo. Contudo, enquanto 9% dos entrevistados afirmaram ter rendimento entre R$ 501,00 e R$ 1.000,00, 3,25% disseram não possuir renda nenhuma. Tenham ou não renda própria, no entanto, 49% dos idosos de Londrina destinam todos os meses de R$ 25,00 a R$ 150,00 à compra de medicamentos. A maioria (64,15%) em caso de necessidade de tratamento médico, recorre ao SUS. Os demais (35,85%) são usuários de planos particulares.
Para Luiz Carlos Miguita, a questão da saúde da população da terceira idade é a mais preocupante em termos de política pública. ''Os tratamentos de sa© úde do idoso, feitos em sua maioria pelo SUS, são caríssimos'', afirma. Seria melhor, argumenta, oferecer os remédios gratuitamente, evitando uma série de penosas consequências, e centrar forças na prevenção, nas informações sobre como cuidar da saúde em qualquer idade.
Uma das surpresas da pesquisa, revelando-se um índice excelente para os padrões nacionais, é que a maior parte da população idosa de Londrina (77%) mora em casa própria. Outra constatação, que não chega a ser tão surpreendente assim, mostra que as maiores motivações do idoso para sair de casa são a busca do apoio espiritual, nos cultos religiosos, e a procura por assistência médica ou posto de saúde 76,96% da população de terceira idade da cidade é adepta da religião católica, seguida da evangélica, com 16,29%.
O passatempo preferido do idoso londrinense é ver televisão, mas gosta também de conversar com os amigos e de ouvir rádio. Outro hábito é a leitura da Bíblia e, com menos frequência, dos jornais. Os livros são preferência de apenas 13,62% dos entrevistados.
Em termos de saúde, conforme revela Miguita, com base no que a pesquisa apurou, ''de 70 a 80% dos idosos da cidade têm algum tipo de doença, com destaque para a hipertensão''. São raros, no entanto, os casos graves, que provocam invalidez. Esse é um dado importante, na opinião do médico, pois está intimamente ligado ao conceito ou ao preconceito em relação à idade: ''Quanto mais velho, mais dependente da sociedade, da medicina, da família''. Miguita defende a idéia de que devemos envelhecer sem a preocupação sobre quem vai cuidar de nós. ''Temos de cuidar de nós mesmos'', afirma.
Para isso, é fundamental ter acesso às informações, especialmente sobre saúde, e prevenir problemas futuros, fazendo exercícios físicos, alimentando-se de forma equilibrada e tendo cuidados consigo mesmo, tanto espirituais, quanto materiais, desde cedo. ''A vida tem um começo, um meio e um fim'', reflete Miguita, ''e é preciso estar adequado a cada uma dessas etapas''. O fim, que, na fase da terceira idade se torna mais nítido no horizonte deve ser afastado do pensamento e ser substituído pelo prazer de ''viver cada minuto, cada 10 minutos, cada dia, com entusiasmo e alegria''.

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