A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) coloca sobre o agronegócio brasileiro a responsabilidade de expandir 40% até 2020, para suportar o crescimento mundial de 20% na demanda de alimentos por ela projetada.

Mais do que responsável pela garantia da alimentação humana, a agricultura (juntamente com os diversos tipos de criação de animais para consumo) representa um dos principais pilares de nossa sociedade e da forma como vivemos. Afinal, antes da criação dessa técnica, era impossível ao ser humano fixar raiz em qualquer lugar, sendo obrigado a viver como nômade em busca de comida.

Foi a partir do desenvolvimento desse conjunto de técnicas para o cultivo de plantas com o objetivo de obter alimentos (servindo também para a obtenção de fibras, energia, medicamentos, etc.) que a população humana passou a crescer mais rapidamente e as primeiras cidades surgiram. Com mais gente, aumentou a necessidade por mais alimentos.

No Brasil, o risco de escassez de alimentos persistiu até a década de 1970, momento do início da migração da agricultura nacional de rudimentar para referência global. Segundo a Embrapa, a produção de grãos que, em 1975, era de 38 milhões de toneladas, atingiu 236 milhões em 2017, crescendo mais de seis vezes, enquanto a área plantada apenas dobrou, representando 7,6% do território brasileiro.

O número de cabeças de gado bovino mais que dobrou nas últimas quatro décadas (em 2016, eram 218,23 milhões de cabeças), enquanto a área de pastagens teve pequeno aumento (em algumas regiões, houve a redução de terras destinadas ao pastejo), chegando a 19,7% do nosso território.

Um dos principais fatores para alterar o destino da agricultura nacional foi o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Surgiram novas técnicas de plantio, de correção de solo, adaptação de culturas (cujo maior exemplo é a soja no Centro-Oeste brasileiro), aumento de produtividade, alterando-se também a parte de criação e manejo, com a vinda de novas raças, garantindo animais com melhores carcaças e prontos para o abate mais rapidamente. Enfim, o setor se valeu da invenção e da inovação, justamente os recursos que se mostram necessários para ultrapassar a meta estabelecida para 2020.

Para auxiliar o Brasil a vencer o desafio imposto pela FAO/ONU e pelo mundo, Londrina, cidade com importância e participação amplamente reconhecida no agronegócio e nas TICs (Tecnologias de Inovação e Comunicação), passa a sediar a partir de hoje o primeiro AgroBIT Brasil, conectando as necessidades do produtor rural com o que existe de mais inovador no mundo para o setor.

A junção entre empresas e produtores rurais, o campo e a tecnologia, conectará os mais diversos elos da cadeia do agronegócio, tornando as tecnologias mais acessíveis, com vistas a garantir a produção de alimentos cada vez mais seguros, o aumento da produtividade e a diminuição dos custos, sempre primando pela sustentabilidade e o bem-estar animal. É a cidade assumindo importante papel no futuro do agronegócio.


Francisco Luís Hipólito Galli é advogado no Caetano de Paula, Spigai & Galli I Advocacia & Consultoria, coordenador da Comissão de direito do agronegócio da OAB Londrina e membro da governança do setor de agro de Londrina

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