Em texto na coluna Espaço Aberto da Folha de Londrina, em 3 de julho de 2011, levantei uma questão relacionada ao turismo, fazendo uma comparação com Bilbao, Espanha. Vale a pela relembrar o texto agora que discutimos o Marco dos 90 anos para a cidade (com pequenas alterações):

“Quanto ao turismo: o que temos em Londrina que permita atrair pessoas de razoável cultura e condições financeiras de países como o Japão, ou Alemanha, ou Itália, ou França, ou Estados Unidos, ou Canadá, ou mesmo países mais próximos, como a Argentina, para nossa cidade considerando-a uma opção de turismo? Ou turistas de todos os lugares do mundo que vêm a nosso estado em seu roteiro no Brasil para ver as Cataratas, em Foz do Iguaçu, a incluir Londrina dentro de sua rota? A resposta é: rigorosamente NADA! ...Enquanto o Museu Gughenheim, em Bilbao, faz parte do roteiro turístico da Espanha como estrela de primeira grandeza, Londrina não tem nada de significativo em escala semelhante. Esta é uma questão que deveria ser analisada por nossas lideranças políticas, empresariais e comunitárias e pelo poder público municipal em especial. O turismo é uma das mais importantes indústrias no mundo atual e deve fazer parte de nossa reflexão a criação de uma atração de impacto que nos permita agregar esta indústria, de modo mais significativo, ao desenvolvimento de nossa cidade.”

Reforço o argumento. Obs: Foz recebeu pouco mais de 1.400.000 (um milhão e quatrocentos mil) de visitas em 2022. Quantas dessas pessoas pararam em Londrina?

De lá para cá, a situação não mudou. Temos vários eventos que contribuem para nosso turismo, mas voltados para setores específicos como, por exemplo, o Londrina Matsuri, a Feira Rural, Festival de Música, Festival de Teatro e outros, mas esta análise anterior, de 2011, de modo geral ainda me parece atual, por isso avanço na discussão. Considerando um exemplo mais próximo, no Brasil. Vocês conhecem Inhotim? Em Brumadinho, próximo a Belo Horizonte, Minas Gerais? Sugiro verem o site: https://www.inhotim.org.br/.

Inhotim, infelizmente, ficou em evidência recentemente por causa do acidente da barragem da Vale, mas já está aberto à visitação (estive lá há um mês) e, como o Museu Gughenheim, é um exemplo a ser seguido!

Ir a Belo Horizonte hoje e passear em Inhotim transformou-se em algo praticamente obrigatório. De acordo com texto do próprio instituto: “....tornando-se um lugar singular, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras e de todos os continentes. Os acervos são mobilizados para o desenvolvimento de atividades educativas e sociais para públicos de faixas etárias distintas”.

Temos que ter um diferencial em Londrina que realmente nos permita entrar nos roteiros turísticos que estão no imaginário das pessoas de todo o mundo. Um diferencial que torne Londrina e região uma escala obrigatória em algum circuito turístico desses potenciais visitantes.

Assim fica uma sugestão além da comparação com Bilbao e Inhotim: já imaginaram em transformar o Jardim Botânico e/ou o Parque Arthur Thomas em Londrina em algo semelhante? É claro que necessitaria um projeto, mas ampliar e agregar obras de arte contemporânea ao Jardim Botânico/Parque Arthur Thomas poderia ser uma opção a ser considerada para colocar Londrina e região no mapa do turismo estadual, nacional, e mundial.

Chamo a atenção de que Brumadinho tem somente 40.000 habitantes e Inhotim foi inaugurado em 2006!! Em agosto de 2018, atingiu a marca de 3 milhões de visitantes.

Ivan Frederico Lupiano Dias é ex-professor de Física da UEL e autor da Proposta de Industrialização para Londrina baseada em um Polo Tecnológico

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