Cada evento novo, em Londrina, é sempre um evento pioneiro, e a cidade-metrópole nunca cessou de vê-los acontecendo, desde os primeiros anos da década de 20 até os dias de hoje. Porque é uma cidade ainda não concluída, mas em contínua construção. Dos pioneiros das primeiras horas até os empreendedores de agora, a cidade vai experimentando coisas novas, que despontam aqui e ali, numa imensa variedade de campos. Coisas que já quase não são percebidas, porque a cidade expandiu-se e exigiria uma maratona de quem desejasse percorrê-la em todos os seus quadrantes e conferir o que de novo vai surgindo. Esse crescimento tão veloz em apenas 70 anos, que são comemorados neste 10 de dezembro data em que no ano de 1934 a cidade elevava-se à categoria de município veio atraindo gente e mais gente, e ao lado dos grandes avanços sociais ocorreu também um superpovoamento de bairros periféricos, gerando acentuado contraste entre bolsões populacionais ricos e também pobres, alguns miseráveis. Eventos novos e engrandecedores, então, se sucedem ao lado de novos desafios que vão surgindo e que exigem rapidez de decisão, do poder público e da sociedade. Se Londrina se vale, também, da força econômica dos muitos municípios que a circundam e de alguns até mais distantes, tem com essas comunidades um igual compromisso de demanda, que abarca serviços de toda a natureza. A caminhada da metrópole é irreversível e marcha em ritmo que às vezes atropela a capacidade instalada e a infra-estrutura humana e logística. Em caderno especial que a Folha de Londrina publica hoje sob o título ''70 Anos de Paixão'' muitas questões são postas. A cidade tem corpo e alma diz o texto de apresentação da editora Célia Musilli e no corpo constata-se a existência de pesquisas que colocam cientistas locais na vanguarda do mundo, artistas que falam a linguagem do planeta, atletas que se forjam e são requisitados no País e no exterior, escolas que se convertem em celeiros de novas mentalidades, profissionais que elevam a saúde à instância da modernidade, empresas que dividem o lucro com o conceito de cidadania. Na sua alma, o tecido urbano demonstra força e pressa força para movimentar a engrenagem do desenvolvimento e pressa para construir, no século 21, a cidades dos sonhos. Nessa fusão de corpo e alma centra-se a usina de inteligência que precisará gerar respostas para os desafios, que não se localizam apenas nos pontos da complexidade socioeconômica e seus desníveis, mas nas necessidades que vão se apresentando a cada dia para acompanhar à dinâmica da grande cidade, que precisa ser abastecida de suficiente estoque de serviços para que não ocorram estrangulamentos. Quem construiu tanto em tão poucos anos tempo curto demais para tamanha obra realizada tem, com toda certeza, a idêntica capacidade para vencer os desafios atuais e futuros.

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