Seguindo uma obstinada tradição pelo trabalho, Londrina celebra trabalhando o seu dia de aniversário. Que, sem feriado, transcorre neste 10 de dezembro, data em que, no ano de 1934, a cidade que já se formava desde 1929 ganhou emancipação e se converteu em município. Uma marca forte desta hoje metrópole é que ela sempre cresceu em ritmo acelerado, mais que o normal de outras cidades, a ponto de os poderes públicos não acompanharem no mesmo ritmo - em obras e atendimentos sociais - as necessidades comunitárias. Por isso esta cidade de 73 anos pulsa pujante e em contínuo crescimento em muitos sentidos, mas tem também acentuados contrastes, revelados nos seus bolsões de pobreza.
Muita coisa há que exaltar, sobretudo a inclinação de Londrina para a modernidade, manifestada na arquitetura, na infra-estrutura educacional e em muitos serviços, isto associado ao espírito jovial de sua gente, mas paralelamente alguns desafios estão muito presentes, como o desemprego, a violência e as precárias condições de moradia de considerável parcela da população. Talvez, justamente por essa característica de crescimento de sua estrutura física e operacional, a iniciativa privada caminhou mais rápido que o provimento dos poderes públicos - municipal, estadual e federal - naquilo que lhes competiu.
A cidade se sustenta de seus serviços - com destaque as universidades e as demais instituições de ensino - haurindo do suporte econômico local e regional que emana principalmente da atividade rural e da agroindústria. A expansão constante das safras, pela prodigalidade das terras férteis e da tecnologia, dão garantia de continuidade ao progresso que marcou a cidade desde sua primeira hora. Esta incontestável realidade é um poderoso alicerce de segurança econômica, e Londrina, que tantos serviços presta às cidades do vasto território norte-paranaense, também se beneficia do correspondente retorno.
Por essas razões logísticas e infra-estruturais não há risco de retrocesso. Essa dinâmica induz Londrina a mais e mais crescer e desenvolver-se. Por isso é preciso que a iniciativa privada e os poderes públicos operem em consonância, de forma a elevar o padrão dos segmentos que ficaram para trás nessa maratona, notadamente os da moradia, com a triste visão dos cortiços, e da escassez de vagas de trabalho, fator que contribui para os atentados contra o patrimônio alheio.
Por ser pólo de atração regional, Londrina ganha muitos benefícios mas tem também de arcar com atendimentos, como os da saúde e da educação e outros equipamentos infra-estruturais, que precisam ir se robustecendo para atender à demanda. Quarenta anos atrás Londrina tinha 200 mil habitantes e hoje eles são mais de 500 mil, segundo a estimativa. Nesse período também a população circunvizinha duplicou e as benesses e necessidades paralelas aconteceram na mesma proporção.

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