Em 1967, em meio aos cafezais que dominavam a Zona Leste de Londrina, ao lado do aeroporto, ainda muito modesto, surgiu o hangar da primeira empresa londrinense especializada em mecânica e manutenção de aeronaves, a Avipar. Quatro décadas depois, o aeroporto se modernizou, bairros residenciais substituíram os pés de café, mas a empresa continua firme, no mesmo lugar.
É ali que se reúne uma equipe repleta de profissionais experientes, como o responsável técnico Luís Guilherme de Almeida, 44 anos de aviação; o controlador de manutenção Guilherme Barbosa, há três décadas no ramo, e o chefe de mecânica Osnir Correa, que põe a mão na graxa há 33 anos.
Eles explicam que a maioria do movimento da oficina - que recebe de 15 a 25 aeronaves por mês - foi até 60% maior nas décadas de 70, 80 e 90. Atualmente, já não existem tantas pessoas interessadas em possuir pequenas aeronaves, devido a diversos fatores, tais como a melhoria das rodovias e dos automóveis, que facilitaram as viagens por terra.
Porém, o que mais assusta aqueles que pensam em ter um avião é o custo do combustível, uma gasolina especial, que em Londrina sai por R$ 3,20 o litro e chega a custar quase R$ 5,00 em outras cidades. Isso para os aviões movidos à hélice ou turbo-hélice, a chamada aviação a pistão, que é a especialidade da Avipar. Para se ter uma idéia, uma viagem de ida e volta do Aeroporto de Londrina ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com um avião monomotor, vai consumir 240 litros de combustível.
A rotina de uma oficina de aviões é diferente da rotina de uma oficina de automóveis. As aeronaves são programadas desde o momento da fabricação para passar por diversas manutenções preventivas. Por isso, é raro que algum avião apresente um problema mecânico.
Além disso, todas as manutenções são registradas minuciosamente e todo o trabalho é obrigatoriamente informado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Cada aeronave tem uma espécie de ''carteira de vacinação'', onde todos os detalhes de cada manutenção ou conserto são registrados.
Deixar os motores dos aviões tinindo é uma grande responsabilidade. Algum problema mecânico durante o vôo pode ser fatal. Em uma volta pela oficina, o chefe de mecânica vai mostrando os detalhes dos serviços. Ele conta que, na revisão anual de um avião bi-motor, são verificados 184 itens.
Osnir Correa começou a carreira aos 18 anos, como mecânico de automóveis em Penápolis (interior de São Paulo). Pouco tempo depois já estava dentro do aeroporto daquela cidade trabalhando nos motores das aeronaves. Depois de atuar em Curitiba, veio para Londrina em 1990.
Atualmente, além de gerenciar a oficina da Avipar, é praticamente um professor, transmitindo sua experiência para os mecânicos mais novos, que se formam em uma das duas escolas de mecânica homologadas pela Anac que existem na cidade.
''Recentemente, três rapazes que trabalhavam aqui com a gente foram trabalhar em grandes companhias aéreas. Londrina está produzindo bons profissionais'', ressalta. (W.S.)

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