Não, não queremos tirar o epíteto do Rio de Janeiro. Longe disso. O que queremos aproveitar da expressão é o SE: Cidade maravilhosa se não fosse o abandono a que foram relegadas as praças e os jardins do centro da cidade.
A ‘‘Concha acústica’’ está em estado lastimável: sujíssima, esquecida, com o calçamento todo arrebentado mostrando o que parece ser sepulturas escavadas de árvores que outrora estiveram altaneiras naquele amontoado de pedras e cimento. O jardim é uma ruína só. (A última chuva até que deu um certo alento à parca vegetação existente...). Além disso, a ‘‘Concha’’ é albergue para alguns desvalidos da sorte e mictório público para muitos. E, nessa síntese de abandono e promiscuidade, crianças chutam bola e brincam com seus ‘‘skates’’- assustando os pombos que enfeitam e ajudam a sujar a praça e os carros estacionados.
E o bosque - aquele pulmão sadio a exalar oxigênio bem no centro de Londrina? Cada temporal assustador derruba uma árvore gigante (agora só resta uma peroba!...), que derruba outras, que são retalhadas e abandonadas no local até apodrecer. Não há reposição. Mas, em compensação, o bosque abriga o maior galinheiro sem cerca e a céu aberto da região. É lindo ver os donos do pedaço, em bando, exibir suas belas cores e canto; e ver as galinhas protetoras e seus filhotes ciscando buliçosos. (O número de aves, às vezes, diminui: com certeza, vão para a panela de algum esperto gastrônomo...). Sem poleiro adequado, os galináceos se empoleiram nos galhos das árvores sobre a calçada dos transeuntes, que têm a desagradável surpresa (choque!) de servir de anteparo para os dejetos das galinhas voadoras. Ficamos lembrando da época em que o bosque era um lugar de recreação, com um pequeno zoológico bem administrado.
Outra coisa: a figura do gari -e das saudosas ‘‘margaridas’’..., uniformizados, dando idéia de ordem e boa administração - desapareceu, como também desapareceram os poucos e desalinhados varredores (alguns descalços, quase maltrapilhos) que andaram varrendo, aqui o centro, por um pouco tempo. Onde estarão? E os órgãos que cuidam de nossas ruas, praças e jardins estão ‘‘de mal’’? Não conversam entre si sobre o enfeiamento do centro da cidade? Não pensam em empreender uma campanha e pedir a ajuda da população para dar uma nova cara a Londrina-uma cara mais limpa?
A atual administração teve o nosso empenho e o nosso voto. Agora, uma cobrança.
Fernanda Jiran, Londrina

mockup