Londrina, capital dos serviços
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Números divulgados em dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) de Londrina cresceu 44% entre 2002 e 2005, com a renda per capita do londrinense registrando alta de 36% e atingindo R$ 12.733 por ano.
Os números colocaram Londrina como a 49 maior economia do país, nona da região Sul e quarta do Paraná, atrás de Curitiba, Araucária e Pinhais. O destaque fica para o setor de serviços, que alcançou o 38º lugar no ranking nacional e foi responsável por 66% da riqueza produzida em Londrina.
Em entrevista à FOLHA, o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Mauro Viecili, confirmou o bom momento da cidade, a vocação para receber empresas de tecnologia e comentou as perspectivas para atração de novas indústrias em 2008.
Qual a avaliação que o senhor faz da posição de Londrina no ranking dos municípios com maior PIB do país?
A avaliação é muito positiva. Quando você tem um crescimento de praticamente 50% no PIB do município, isso mostra que estamos no caminho certo no que se refere à atração de empresas, fortalecimento da economia. A vinda de outras universidades, deixando Londrina com a marca de uma cidade universitária que atrai estudantes de outras regiões, também reflete uma tendência de consumo que acaba aumentando a arrecadação e melhorando a qualidade de vida da população. Basta ver o crescimento da renda per capita que está quase na mesma proporção do PIB, subindo de R$ 9 mil para R$ 12 mil a média anual. E os números têm melhorado depois dessa pesquisa. Fechamos 2007 como um dos melhores anos em volume de consumo, venda no comércio e geração de empregos no município. Isso indica um crescimento contínuo e consolidado da economia local.
Fica cada vez mais confirmada a vocação de uma cidade prestadora de serviços?
O crescimento no setor de serviço vem ocorrendo desde o final dos anos 60. É um segmento bem mais difícil de passar por uma crise, porque são empresas que trabalham em ramos diversificados. Estamos investindo muito nisso, principalmente em empresas da área de tecnologia, que geram uma rentabilidade maior no município, são extremamente empregadoras, e devem aumentar consideravelmente a renda da cidade nos próximos anos.
O senhor citou a chegada de novas universidades em Londrina. A cidade tem condições de abrigar estes profissionais que saem das faculdades?
Sim, principalmente em algumas indústrias que podem atender a demanda da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR). O curso voltado a área de alimentos vai encontro com o que procuram estas indústrias que estão chegando por aqui. No caso das empresas de tecnologia, temos a LINT que tem convênios com as universidades locais para aproveitar a mão-de-obra local.
Londrina não entrou na lista dos 100 maiores PIBs agrícolas do país, e vem caindo a participação da agricultura no PIB da cidade. É uma tendência natural?
Quando a gente parte para a industrialização e direciona o foco para o setor de serviços, a parte agrícola fica fora do eixo principal, até porque a nossa região metropolitana absorve muito este segmento. Gostaríamos de ter muito mais agroindústrias, mas deixamos algumas coisas para os municípios da região metropolitana para que a gente não absorva tudo e crie problemas com os pequenos municípios do nosso entorno.
No ranking do PIB industrial, Londrina ficou em 82º lugar. O que falta para este resultado ser melhor?
No período ao qual se referem os números, ainda não havia sido registrado o reflexo de uma série de empresas que estavam se instalando na cidade no segmento industrial. De lá para cá, a tendência é de um salto, como mostram os números da economia de 2007.
A perspectiva de atração de indústrias é positiva para o ano que vem?
Muito positiva. Tem algumas indústrias em que já foi feita a transferência de área pela Câmara Municipal, como é o caso da Couroada, e mais recentemente empresas do segmento alimentício que estão vindo para ficar em Londrina e alterar significativamente o volume de empregos e a arrecadação do município.
A infra-estrutura da cidade está preparada para receber indústrias de grande porte ou ainda falta algo?
Algumas coisas ainda precisam ser feitas, mas são coisas pequenas. Só quando definimos onde vai ser instalada uma empresa é que começamos a fazer a infra-estrutura de acabamento. Se investir sem ter uma definição de quem vai ocupar aquela área e depois não tiver retorno, o município sai no prejuízo porque deixa de fazer outros tipos de investimento. Mas a cidade está pronta para receber estas indústrias.


