Londrina é a primeira cidade da América Latina a dispor de uma Lei de Suporte Básico de Vida, que prevê atendimento precoce e ideal da parada cardiorespiratória. Sancionada pela Câmara de Vereadores no dia 17 de julho, a lei, que ainda aguarda regulamentação, vai obrigar estabelecimentos e locais públicos e privados com grande concentração de pessoas a ter pessoal treinado para fazer os primeiros socorros.
Os estabelecimentos terão que adquirir pelo menos um desfibrilador automático externo (DAE) para choque no coração e mantê-lo disponível para o uso de pessoas que transitam por esses locais, em caso de ataque cardíaco.
A expectativa do vereador Tercílio Luiz Turini, um dos autores do projeto, é de que até o final do ano a maioria dos estabelecimentos esteja capacitada a fazer os atendimentos. Ele afirma que a lei é um grande avanço para a cidade e diz que a intenção não é punir os estabelecimentos. Pelo contrário, o propósito é melhorar o primeiro atendimento e oferecer maior segurança à população.
A médica intensivista Cíntia Magalhães Carvalho Grion informa que o Brasil tem atendimento pré-hospitalar desenvolvido para eventualidades de traumas, mas não para urgências cardíacas. Quando uma pessoa sofre uma parada cardiorespiratória, acrescenta Cíntia, depende principalmente de pronto atendimento para sobreviver. Portanto, se tiver por perto pessoas treinadas no atendimento de urgências, suas chances de sobreviver aumentam muito.
Em Londrina, a média de pessoas que sofre parada cardiorespiratória pré-hospitalar é de 500 por ano. Dessas, no máximo 10 pessoas permanecem vivas, ou seja, apenas 2% sobrevivem. A médica adianta que qualquer pessoa pode fazer o treinamento. ''Qualquer leigo pode aprender a identificar os sintomas que precedem um ataque cardíaco e aplicar as medidas de urgência''.
Ela informa que o treinamento para leigos custa R$ 100 e tem a duração de quatro horas. Para os profissionais da área da sa© úde, é feito em oito horas, por R$ 150. O valor do aparelho DAE pode variar de US$ 3 mil a US$ 5 mil. ''O valor pode até ser um pouco alto, mas a vida não tem preço. Vamos pensar em quantas pessoas podem ser salvas pelo pré-atendimento adequado''.
O empresário Aroldo Garcia Mendonça, proprietário de dois shoppings, aprova a idéia. Ele diz que pretende capacitar seus funcionários e dotar os seus estabelecimentos do aparelho recomendado. ''A saúde é suprema'', diz. Mesmo assim, Mendonça acredita que será difícil que todos os estabelecimentos, principalmente os públicos, disponibilizem o serviço.
De acordo com o secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, a Prefeitura ainda vai regulamentar a lei. ''Vamos analisar de que maneira ela deverá ser aplicada e fiscalizada. Por enquanto, podemos adiantar que será feita junto com a Vigilância Sanitária'', diz. Fernandes diz ainda que a secretaria vai colaborar para o treinamento e capacitação dos funcionários. ''Vamos iniciar um estudo dos lugares públicos que precisam ser equipados'', diz, aprovando a iniciativa. ''Acredito que vamos reduzir em um terço o número de mortes por parada cardíaca'', estima.

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