Nos 90 anos de Londrina, é preciso lembrar as 40 etnias que colonizaram a cidade, desde a sua emancipação. Se esses habitantes ainda falassem suas línguas de origem, teríamos ali, no Calçadão, uma espécie de Torre de Babel. Mas as línguas e sotaques se diluem e, ao fim de tudo, sobra o sotaque pé-vermelho, com um R prolongado que dá a impressão de um disco enroscado na palavra, quando se diz "porrrrrta", "autorrrrr" ou "horrrrta."

Conhecido no Brasil, como tantos outros "erres" ditos de forma diferente, o sotaque pé-vermelho é característico de quem cresceu amassando barro e cultivando realizações. Ao longo do tempo, outras características deram a Londrina uma identidade que aponta sua grandiosidade em setores que formam o passado e apontam que tipo de grandeza inspira a cidade no futuro.

O grão que deu a Londrina o status de "capital mundial do café" cresceu numa produção tão exuberante que, nos anos 1960, Londrina foi responsável por cerca de 51% do café produzido no mundo.

Mas nem só de agricultura vive a cidade. E da agricultura à cultura foi um passo, tanto que o principal espaço artístico de Londrina, inaugurado no auge da produção cafeeira, se chama Ouro Verde, alusão ao grão que levou Londrina ao seu primeiro palco de dimensão internacional. Foi também no Cine Teatro Ouro Verde, administrado há décadas pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), que vicejou a cultura, feita de tantos eventos de qualidade quanto os grãos de primeira.

É preciso dizer que a cidade com cerca de 556 mil habitantes, segundo o censo demográfico do IBGE de 2022, tem uma população relativamente jovem, cuja maior faixa etária tem entre 40 e 44 anos, seguida de perto por uma faixa mais jovem ainda, que tem entre 25 e 29 anos.

Com tanto gás, juventude e energia, não é difícil imaginar Londrina, rumo aos 100 anos, plantando em campos diversos - da agricultura à tecnologia, do comércio à cultura - amalgamados pelo sotaque da "porrrrta", do "verrrde", da "carrrrta", do "atorrrr", do "autorrrr" e da "horrrrta."

Porque se é pé-verrrrmelho, é bom!

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