O cenário econômico e social de hoje têm conduzido as lideranças locais e regionais a fomentarem o debate sobre quais rumos tomar. Esse fato deve-se a uma consciência de que as soluções não estão lá fora, mas aqui, à nossa volta.
A instabilidade da moeda fez emergir a racionalidade econômica tradicional, onde o desenvolvimento econômico baseia-se na expansão da produção, na competitividade e na crescente qualificação dos recursos humanos como motor das vantagens comparativas da economia moderna.
A economia brasileira de hoje é altamente favorável à expansão da produção, pois o PIB apresenta o crescimento constante, a poupança interna cresce, os investimentos internos e externos são enormes e financiamentos são abundantes e em diversas modalidades. Competitividade em economia de mercado é sinônimo de baixo custo de produção, qualidade, prazo de entrega reduzidos e grande escala de produção. Traduzindo tudo isto, atualização tecnológica.
Já no tocante à qualificação dos recursos humanos, o Brasil nunca foi um exemplo. Mas a região sul do país sempre foi reconhecidamente uma das mais qualificadas em se tratando de mão-de-obra. Fato que supostamente preserva nossa vantagem comparativa internamente à econômia brasileira. Bom, levando-se conta este cenário, supostamente favorável, o que impedirá Londrina de ter sua economia em franca expansão, com empregos em abundância, empresas locais expandindo suas atividades e novas empresas buscando nossa cidade para se instalar? Boa pergunta.
A resposta não é simples nem fácil. Mas também nossa pretensão não é fornecer tal resposta, mas contribuir na escolha de alguns pontos que poderão compor a mesma.
Atualmente, tanto os estados como os município promovem uma disputa acirrada pelas oportunidades econômicas. Este cenário ou estratégia não é primazia nem originou-se no Brasil. Alguns bons exemplos da participação ativa das cidades na redefinição da dinâmica econômica sseriam Lyon, Bordeaux, Lille e Grenoble, na França; Milão na Itália, Boston, Menphis e Huston, nos EUA. Todas estas cidades, antigas por sinal, tiveram que restruturar sua economia. A década de 60 anunciou novos paradigmas industriais que, com a crise do petróleo, se tornaram imperativos. Estas reestruturações foram dolorosas, incertas e custaram a vingar. Cada uma destas cidades viu-se obrigada a passar um perfil industrial a outro, sacrificando décadas de investimentos, know-how e muitos empregos.
Estes casos são semelhantes ao de Londrina. A economia da Londrina dos anos 60, centrada no café e em uma indústria incipiente nos anos 70, perdeu dinamismo. O problema é que nenhuma outra atividade econômica veio em substituição ao papel que o café desempenhou.
A economia local ficou muito tempo sem orientação de que rumo seguir, ficando assim à mercê dos arautos de plantão, profetas de dias melhores.
Faltava a Londrina uma caracterização mais preciosa, de base técnica, sobre suas potencialidades, suas vantagens e suas perspectivas econômicas.
É dentro deste contexto que enxergo o papel a ser desempenhado pelo Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) de Londrina. Partiu-se da idéia simples, mas não simplista, de que a chave do sucesso de qualquer processo de industrialização é a comunhão da escolha de setores dinâmicos que possam se utilizar das potencialidades locais.
Visto como orientador do debate, orientador de políticas públicas de fomento ao desenvolvimento econômico, o PDI representa em eixo de ação. É nisto que reside sua grande contribuição.
A partir desta definição de rumo, voltamo-nos à operacionalização do processo. Dentro do estabelecido, devem se acabar as fronteiras. Devemos buscar não somente uma expansão de Londrina no cenário nacional, mas também no cenário internacional. Neste sentido, todos os esforços devem ser feitos. Todos os instrumentos de programas devem ser utilizados. O Programa Paraná-Europa seria um desses instrumentos. Outros devem ser buscados. Lembrando sempre que não é o instrumento que define o rumo e sim o contrário.
Londrina aos poucos está entrando na rota dos investimentos. A partir do momento em que Londrina possa compor um cenário estável e de longo prazo, isto se constitui em triunfo na disputa por novos investimentos. Não nos esqueçamos de que as empresas elaboram suas estratégias organizacionais e mercadológicas baseadas em informações de médio e longo prazo.
- CELSO COSTA é economista em Londrina.

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