Lombalgia aflige 80% dos brasileiros adultos
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domingo, 09 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo Metade das causas de lombalgia (dores nas costas) pode estar relacionada a fatores psicossociais, que vão desde o estresse gerado pela desmotivação no trabalho até a depressão. É o que demonstram estudos internacionais, endossados por ortopedistas e fisiatras brasileiros. Em razão disso, os médicos defendem que o atendimento a esses pacientes deva ir além da indicação de analgésicos e de exercícios fisioterápicos e comece a tratar os aspectos emocionais que desencadeiam a dor.
A lombalgia, na sua forma aguda ou crônica, chega a afetar 80% da população adulta e é hoje um dos principais motivos de afastamento do trabalho no Brasil, segundo a Previdência Social. Nos últimos cinco anos, 315.187 brasileiros pediram auxílio-doença, benefício concedido após 16 dias de afastamento do trabalho, em razão das dores nas costas, que, em números absolutos, só perdem para os casos de convalescença, período de recuperação após cirurgia, que foram responsáveis por 354.933 afastamentos.
Em São Paulo, grupos ligados à USP (Universidade de São Paulo) e à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) têm usado a acupuntura, a música, a dança, a automassagem e outras terapias cognitivas e comportamentais para tratar os casos de lombalgia. ''Não adianta cuidar apenas do corpo físico. Tem que tratar as emoções'', afirma o ortopedista Ysao Yamamura, 60, professor da Unifesp e responsável pelo ambulatório de acupuntura do Hospital São Paulo.
Segundo ele, a tensão emocional pode transformar a coluna em um órgão de choque, em que o indivíduo descarrega as emoções negativas, como ansiedade e frustração. ''Elas (as emoções negativas) funcionam com um fardo nas costas'', diz o médico.
É exatamente esse ''fardo'' que aparece nas costas e no pescoço da engenheira Cristiane Manne, 32, quando ela enfrenta situações de estresse. ''Tenho escoliose (desvio da coluna para um lado) e, quando estou estressada, a dor piora muito'', afirma.
Para a fisiatra Lin Tchia Yeng, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, o tratamento dos fatores emocionais, associado à dieta e aos exercícios físicos, é fundamental na reabilitação.
Yeng afirma que nada adianta a melhoria das condições físicas (móveis dentro dos padrões ergonômicos recomendáveis) se o ambiente de trabalho continuar opressivo. ''Como é difícil mudar essa situação, as pessoas têm de aprender a lidar com ela'', afirma.
Segundo os médicos, 90% dos doentes de lombalgia aguda recuperam-se espontaneamente em quatro a sete semanas. Porém, metade deles deve apresentar novos episódios de dor no período de um ano, e 40% podem desenvolver um quadro de dor crônica. Yeng diz que somente de 1% a 3% dos doentes com lombalgia precisam se submeter a uma cirurgia.
Embora seja uma das queixas mais frequentes da humanidade, em 85% dos casos de lombalgia não é possível determinar o motivo da dor. Além dos fatores psicossociais, estão o condicionamento físico deficiente, a má postura, a mecânica anormal dos movimentos, os pequenos traumas e o esforço repetitivo.


