A fé não move apenas montanhas. No Brasil, movimenta também milhões de reais com a venda de artigos religiosos. São livros, cds, roupas, sapatos, brinquedos e presentes, entre outras opções, que têm clientela cativa entre os consumidores cristãos.
Diante dessa tendência, as lojas especializadas se configuram como um bom negócio. No Paraná, 7,1 milhões de católicos e 1,7 milhão de evangélicos, segundo o IBGE, formam o público potencial do setor. Em Londrina, o departamento de alvarás da prefeitura informa que há 20 lojas de artigos religiosos, três delas abertas no último ano.
Um dos empresários que investiu no segmento é Roger Lanza. Dispensado do antigo emprego em uma concessionária de veículos, ele abriu uma loja em dezembro passado e não se arrepende.
''É um bom negócio. Como as pessoas estão muito carentes, se voltam mais para Deus'', acredita. Católico, Lanza vende livros, cds, artigos de papelaria, presentes e camisetas. Segundo ele, as vendas crescem nas datas de aniversário dos santos mais populares. ''Quando os padres falam bastante de um determinado santo, a procura também aumenta'', revela.
Concebida para atender o público evangélico, outra loja, aberta há mais de dez anos, diversificou as atividades e atende também católicos. Priscila Carolina Pires, gerente da empresa, conta que o proprietário começou o negócio vendendo Bíblias nas ruas e hoje possui duas lojas. ''A clientela aumenta a cada dia. As pessoas estão preocupadas com o destino de suas vidas'', diz.
Além dos produtos tradicionais, a loja vende calças, camisas e tem ainda um público fiel: seminaristas e estudantes de teologia que compram livros religiosos. A gerente considera que o negócio é promissor, mas enfrenta muita concorrência. ''Tem que ter variedade e bons preços para continuar no mercado'', presume.
Uma das lojas religiosas mais antigas de Londrina atualmente funciona em três endereços. A empresa, aberta há doze anos, vende literatura cristã para todos os públicos, vários tipos de bíblias, cds e presentes. A proprietária Rosane Montosa Pitelli acredita que o mercado atual é melhor que o da época em que começou. ''Hoje as pessoas têm mais necessidade de Deus'', diz a empresária, que é evangélica mas atende também católicos e cristãos em geral.
No estabelecimento, os cds são os produtos mais procurados. Segundo a empresária, o surgimento de rádios cristãs popularizou a música religiosa e abriu mercado para os diversos artistas existentes. ''Tem cd para todos os gostos, desde heavy metal até músicas mais calmas'', informa.
Entusiasmada com seu negócio, Rosane considera que o lucro não é só financeiro, mas também espiritual. Ela revela que muitos clientes com problemas pessoais vão até à loja procurar apoio nos livros e depois voltam para contar que superaram as dificuldades. ''Não é como vender outros tipos de produtos. A gente vê o resultado do nosso trabalho na vida das pessoas.''

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