Logística e deficit comercial paranaense
A economia brasileira já teve um mote, nos anos 80: Exportar é o que importa. Era para incentivar a busca de nichos no mercado internacional. Bom para quem não podia ficar à mercê do mercado interno, àquela época inseguro por competir com o rendimento das aplicações no mercado financeiro. Melhor para o governo que precisava da entrada de divisas para equilibrar a balança de pagamento, sempre deficitária. A economia mudou, mas o perfil de país exportador é cultuado por razões óbvias. É melhor vender do que comprar.
Neste ponto o Paraná está perdendo. Neste trimestre a economia paranaense está amargando mais um deficit em sua balança comercial. Durante o ano, e também no ano passado, registrou superavit, mas com instabilidade e queda em relação aos anos anteriores. No ano, o Estado registra um superavit de US$ 346 milhões, o menor para os 11 primeiros meses desde 2001.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que divulgou esses dados ontem, tem o diagnóstico: segundo o seu departamento econômico, o deficit é um dos reflexos da combinação do câmbio valorizado, que reduz a competitividade dos produtos nacionais. O outro é um mercado interno aquecido, que faz aumentar a demanda por produtos importados. Está certa a Fiep. Pode-se acrescentar outra variável: a falta de competitividade em alguns itens. Mas, falar em competitividade para um setor assolado pela tributação, seria como exigir que um maratonista chegue em primeiro lugar competindo com uma bola de ferro amarrada aos pés, como prisioneiro.
Como o Banco Central (BC) não pretende mexer na (dis)paridade cambial, o único setor em condições de competir - porque encontrará facilmente gordura a ser queimada - é o agronegócio. Neste ponto entra o interesse paranaense. O governo do Estado pode e deve encontrar alternativas para reduzir custos do complexo soja da porteira para fora, naturalmente sem abrir mão da receita - já comprometida - oriunda da tributação. Um dos fatores de custo é o arcaico sistema de embarque, além de toda uma logística a ser otimizada. O outro é o pedágio, que pode ser negociado em tempo de escoamento da safra.





