São quatro candidatos de oposição contra um apenas do governo na eleição estadual. É chance, como nunca houve, para o situacionismo. Afinal um governo, por pior que seja, e não é o caso do nosso que acumula 14 mil obras, sai, no ponto inercial, com pelo menos um terço das intenções de voto, como ensinava o guru Aníbal Khury.
Pois, apesar dessa fundamentação aritmética, não se capta nada que indique, pelo menos até aqui, que Beto Richa se habilite ao segundo turno. Decorre mais da visível abulia do candidato do que do sistema. Claro que Jaime Lerner está longe de ser um bom animador, uma liderança determinada: prefere o telefone ao contacto pessoal como se já tivesse feito a sua parte com aquelas reuniões, com distribuição de recursos, que teve com as prefeituras. É atordoante essa ausência de uma chispa de energia numa pessoa tão jovem como se dá claramente com o candidato do PSDB.
Alvaro Dias, Roberto Requião e Rubens Bueno são todos da mesma origem, o PMDB velho de guerra. Agora com a fragmentação havida, somada ao caso do primeiro candidato viável que o PT apresenta com o Padre Roque, fica difícil aceitar a decadência da base aliada, mesmo que se considere, além da defecção do PTB e do PPB, as cenas explícitas de mau caráter da falsa dissidência do PFL que colocam claramente ressentimentos e demandas pessoais acima de tudo. Dá para advinhar um fim melancólico para o lernerismo, expressão do néo-neysmo, com o mesmo impacto da derrota de 1982, quando a oposição levou a vantagem de estar botando a pá de cal no regime militar, ao menos alegoricamente.
Há quem acredite que a vinda do gênio marqueteiro Nizan Guanaes possa mudar esse quadro. Se faz uma cerveja falar, quem sabe ponha vida no candidato e dê também um pouquinho de energia a Lerner e na turminha que começa a debandar.
RENAULT O que poderia ser um símbolo dos feitos do governo Lerner e com alguma repercussão eleitoral, a questão da chegada das montadoras, pode acabar se transformando em fato negativo. A recente discussão em torno da despedida de trabalhadores da Renault por doença profissional (LER, lesão por esforço repetitivo) deu margem a que se mostrasse um aspecto lamentável da empresa transnacional que já paga baixíssimos salários, como se sabe.
A Renault recebeu prebendas demais para aqui se instalar: além das áreas entregues, a construção de estação abaixadora, perda de fração importante do Rio Pequeno, o governo entrou como sócio com quase meio bilhão de reais. O aspecto mais grave desse empreendimento é que tem índice de nacionalização zero, o que mostra a imprevidência da iniciativa. Ora nos anos 50, quando JK instalou o parque automotivo no Brasil, criou o GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística, entregue à coordenação do Almirante Lúcio Meira e que fixava progressivos índices de nacionalização para que se fizesse a malha produtiva com um máximo de participação brasileira.
Outro detalhe: além desses inconvenientes, aquilo que o governo assevera na propaganda não é verdadeiro quanto à criação de empregos. Na fase atual, por exemplo, as três montadoras mais a New Holland não ofertam mais do que 7,6 mil empregos, o que pelo investimento e as concessões feitas, incluindo a dilação do pagamento do ICMS, é ridículo. O líder metalúrgico Sérgio Butka alerta que, pelo nível de produção, Minas Gerais, com a Fiat, é o segundo pólo automotivo e o daqui é o terceiro.
CAPITALISMO A onda de fraudes com as grandes corporações aumenta a ânsia dos que desejam ver o capitalismo controlado pela democracia, mesmo nos EEUU.

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