Lixões, problema de difícil solução
A existência de lixões a céu aberto em 175 municípios paranaenses demonstra claramente a falta de vontade política para resolver o problema. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a extinção dos lixões a partir de 2014, mas o objetivo está longe de ser alcançado em todo o País. Recente levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta para um total de 2.906 lixões distribuídos em 2.810 municípios, a maioria da Região Nordeste.
O cenário é preocupante principalmente porque parece não haver qualquer iniciativa para mudá-lo. No caso estadual, auditoria do Tribunal de Contas, realizada há cerca de um ano e meio nos 21 escritórios regionais do Instituto Ambiental do Paraná, indicava para uma situação complicada. Passado esse período, o panorama segue inalterado, o que é injustificável. É certo que alguns municípios tiveram mudança em seus prefeitos, o que também não pode ser usado como desculpa. O planejamento e a execução de políticas públicas devem ter continuidade, não podem simplesmente ser recomeçadas a cada quatro ou oito anos.
Além disso, a solução para a geração de resíduos é bem mais complexa do que a simples construção de aterros sanitários. Além da obra de alto custo, é preciso o desenvolvimento de políticas complementares juntamente com a população. A separação dos resíduos deve ser prática corriqueira, até para garantir a efetividade ambiental dos aterros sanitários. Estimativas indicam que de todo o lixo gerado pela população, apenas 15% não podem ser reaproveitados. O restante deve ser reciclado ou reutilizado a fim de minimizar os impactos desses resíduos na natureza. Portanto, não existe solução a curto prazo.
Além de campanhas de conscientização desenvolvidas junto à população, é preciso que os órgãos competentes cobrem com mais empenho os gestores públicos. Se nem todos os municípios conseguirem acabar com os lixões até o final do próximo ano, é importante que os administradores sejam cobrados e que sintam os efeitos da decisão. Esse problema não pode mais ser postergado.





