Lixo e preservação ambiental
Em um período em que tanto se fala sobre a destinação correta dos resíduos, é inconcebível que o Brasil ainda não tenha todas as normas definidas para recolhimento do lixo eletrônico. Embora já tenha sido editada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei 12.305/10), alguns itens ainda não estão suficientemente claros, como alerta a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Critérios como a responsabilidade por produtos de origem não comprovada, transporte e manipulação desses componentes e até formas de coleta permanecem indefinidos.
Soma-se a esse cenário a falta de educação ambiental da sociedade em geral. Se nem mesmo as regras estão claras, parece natural que a população simplesmente não saiba o que fazer com esse tipo de produto. Tanto que pesquisa realizada por uma empresa de consultoria internacional aponta que 35% dos brasileiros guardam o objeto em casa; 29% doam; 19% vendem; 7% jogam no lixo; e 10% dão outra destinação qualquer. Relatos de comerciantes também já apontam para uma mudança no comportamento do consumidor: em muitos casos, a opção é pelo descarte ao invés do conserto.
No entanto, o que deve ficar claro a todos os envolvidos na cadeia indústria, varejo, consumidores e governo é o papel de cada um. Quando as regras não estão claras, as cobranças ficam inviabilizadas. No entanto, é urgente essa definição, assim como é urgente a preservação ambiental. São assuntos que não podem ser postergados. A política de recolhimento e tratamento de resíduos sólidos é uma necessidade e deve ser implementada em todos os municípios, não apenas em cidades com mais de 80 mil habitantes, como prevê edital que estabelece metas progressivas para a logística reversa.
Há problemas que necessitam de solução urgente, com planejamento, metas e sanções em caso de descumprimento. Questões ambientais também devem ser prioridades porque é da mudança de comportamento das pessoas e de regras claras que depende o futuro do planeta.





