Pouca distância pode, às vezes, separar grandes diferenças.
Conversava, há dias, com um comerciante da área de livros e revistas quando não resisti a perguntar-lhe por que Maringá possui uma grande e respeitável livraria situada num shopping da cidade, quando Londrina ainda demonstra alguma timidez neste mercado. A resposta foi fulminante: ‘‘Em Maringá o povo gasta muito mais com leitura que em Londrina.’’
Duvidei e cheguei a pensar que fosse um mero desabafo de quem os negócios não vão a contento. As aparências não confirmam a informação. Londrina sempre pareceu-me dada à cultura com maior apego e realizações que Maringá. Pensei na nossa orquestra sinfônica - um privilégio de que pouquíssimos municípios podem desfrutar -, no Festival de Teatro de Londrina e tantos outros recursos práticos de que a cidade dispõe.
Parti em busca de valores que justificassem a explicação que recebera e acabei consultando um arquivo de dados de uma grande consultoria a respeito do consumo de bens e serviços dos municípios brasileiros no primeiro semestre do ano 2000. Bingo! Maringá consome em livros e materiais escolares algo em torno de US$ 7 milhões ao ano, enquanto em Londrina o valor é de US$ 10 milhões. Estes números divididos pelas respectivas populações, irão traduzir o consumo per capita desses bens. Assim, o consumo per capita de livros e materiais escolares em Maringá é de aproximadamente 24,7 dólares/habitante ano; enquanto em Londrina 23,5.
Em valores absolutos a diferença é, realmente, muito pequena. Em termos mercadológicos, porém, US$ 1,20 por habitante ao ano pode significar um megastore de diferença. É o que há, na verdade.
Não desejo fazer críticas. De que adiantariam? Gostaria muito que essas observações fossem um reforço positivo, uma motivação. Na minha visão de cidadão londrinense - de coração - estou detectando um parâmetro desajustado na vida de nossa população. Pois, então, busquemos a cura, sem vãs discussões ou perda de tempo.
Algo precisa ser feito. A começar das facilidades para se instalar bancas de revistas e jornais nos pontos de maior confluência populacional; um marketing pró-ativo para a atração de grandes comércios de livros; barracas de livros e revistas usados nas feiras livres; campanhas nas escolas, colégios, universidades, igrejas, clubes; divulgar o acesso às bibliotecas públicas e universitárias; tudo o que é possível ser feito a baixo custo e contando com a boa vontade de todos.
Vivendo num século onde o maior patrimônio das nações é o acesso da população à informação e cultura, todo e qualquer investimento feito na área do conhecimento será traduzido rapidamente em riqueza e divisas reais para a urbi et orbi.
- ABRAHAM SHAPIRO é engenheiro industrial, ex-diretor do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina e atua em negócios de Tecnologia da Informação
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