Na temporada de reivindicação por aumento da tarifa dos onibus urbanos é sempre levantada, em Londrina, a questão do monópolio que no passado contemplava apenas uma empresa e agora forma um duopólio. Proposta antiga é que essa tradição seja quebrada e se abra concorrência para mais empresas, incluindo as pequenas que se habilitarem; ou que se retire o vínculo com a Prefeitura que atuaria apenas como fiscalizadora do serviço.
A ideia é viável, até porque é livre a concorrência para o transporte de passageiros em percursos mais longos, assim como para o sistema de táxis, mototáxis e companhias aéreas, fluviais e marítimas. Naturalmente que regulamentadas pelas normas legais pertinentes. No caso de Londrina - cenário de discussão no momento sobre planilha e tarifa do transporte coletivo urbano - seria preciso rescindir os atuais contratos, em seus vencimentos, para ampliar o leque de empresas participantes, sem prejuízo de as atuais permanecerem.
Quando havia uma única empresa chegou a dar entrada na Prefeitura um pedido de exploração paralela de um serviço de kombis-lotação - o que implicaria também em alteração do contrato vigorante - e como resultado disso a própria concessionária começou a operar também como mini-ônibus. Era o bafejo da concorrência fazendo mudanças. A livre e sadia disputa é benéfica em todas as atividades, e deve ser também no transporte de massa. Como foi escrito ontem neste Jornal, para desestimular a presença de concorrentes, basta as atuais concessionárias esmerarem-se na qualidade dos serviços. E no momento isto deixa a desejar, pela razão que todos conhecem: ônibus superlotados de passageiros em pé nos horários de maior movimento, e eles pagando tarifa inteira como os que estão sentados. Pessoas não podem ser transportadas como gado (e nem animais devem ser molestados), mas é o que ocorre no transporte urbano não só em Londrina mas em todo o País. Modificar o sistema, que vigora por concessão há muitos anos em Londrina, é uma questão que demanda amplo estudo e será preciso esperar pela expiração dos contratos vigentes, mas é tempo de pensar-se nessa medida.
Ampliar o serviço, por via do ingresso de novas empresas, não prejudicaria as atuais, até porque a cidade cresce, com aumento da população e, portanto, com possibilidade para todas. Se o sistema apresenta dificiência nos horários mencionados, não pode haver condescendência e é preciso encontrar soluções. A discussão que ora ocorre sobre planilha e tarifa não pode se ater apenas a esses itens, mas discutir também à qualidade do atendimento ao usuário.
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